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Ex-presidente do CCB é hoje ouvido no Parlamento

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José Carlos Carvalho / Visão

António Lamas será ouvido esta quarta-feira na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto. Na ordem do dia, estará o polémico afastamento do Centro Cultural de Belém pelo ministro João Soares

Após o seu polémico afastamento da presidência do Centro Cultural de Belém (CCB), em fevereiro, pelo ministro da Cultura a versão de António Lamas será ouvida esta quarta-feira, pelas 17h30, no parlamento. O ex-presidente do CCB vai estar presente na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

Na semana passada, a comissão votou, “por unanimidade”, o requerimento apresentado pelo PSD que pedia a audição de António Lamas e do ministro da Cultura. Lamas será ouvido agora, enquanto Soares terá a sua audiência por agendar. “Talvez em abril”, adianta fonte da comissão.

O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Sérgio Azevedo justificou, na apresentação do requerimento, que havia necessidade de um “esclarecimento cabal” sobre a forma como João Soares decidira demitir António Lamas, nomeando para o seu lugar Elísio Summavielle, ex-secretário de Estado da Cultura e antigo adjunto do ministro da Cultura. O processo da demissão foi apelidado pela direita “prepotente”, “anormal” e conduzido através de “recados via imprensa”.

Para isso, recuemos a fevereiro, quando João Soares adiantou que pretendia afastar Lamas do CCB. “Se me perguntar se tenho pessoas capazes para substituir o presidente do CCB, tenho”, afirmou Soares, em entrevista ao Expresso. Dias depois - e após garantir, em entrevista ao “Público”, que não se demitiria - António Lamas acabaria exonerado do cargo pelo ministro da Cultura, alegando má gestão.

Em causa está a discordância entre António Lamas e João Soares sobre o projeto de gestão integrada do polémico “eixo Belém-Ajuda”, cuja estrutura de missão, extinta pelo atual Governo, era chefiada pelo ex-presidente do CCB.

João Soares afirmou, durante a audição parlamentar relativa ao Orçamento do Estado para 2016, que não tem “a menor das hostilidades, do ponto de vista pessoal” com António Lamas, nomeado presidente do CCB em 2014. Porém, lamentou “uma gestão pouco prudente”, dando como exemplo o gasto de “seis milhões [de euros] das reservas nos últimos tempos”.