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Política

Seguro atira farpa a Costa

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Tiago Miranda

Numa conferência para estudantes de Ciência Política, Seguro comparou António Costa a Marcelo: os dois promoveram-se por via do comentário político em televisão

Antonio José Seguro considerou esta terça-feira que “os partidos já não são os espaços privilegiados da promoção de candidaturas eleitorais”, referindo-se concretamente às últimas eleições legislativas e presidenciais. Segundo o ex-secretário-geral do PS, este fenómeno "não é só fruto da sociedade de informação e das sociedades que são mais abertas", mas é "culpa também dos próprios partidos e de muitos políticos desses partidos”, nomeadamente do seu comportamento, devido “às promessas feitas e nao cumpridas, à corrupção” que levou a um afastamento dos eleitores em relação aos partidos.

Nesta conferência, intitulada “As dinâmicas eleitorais em Portugal”, inserida no segundo dia do II Encontro Nacional de Estudantes de Ciência Política, Antonio José Seguro não resistiu em atirar a farpa a António Costa, ao abordar as ultimas eleições primárias do PS, para dizer que liderou o partido durante três anos e que o atual primeiro-ministro "o que fez foi estar na Quadratura do Circulo, na SIC, onde foi projetando e formando a sua imagem”.

Seguro acentuou que quem lidera um partido "sobretudo em oposição”, como fez durante três anos,tem sobre ele "uma exigência e uma responsabilidade que é completamente diferente de alguém que está sentado num estúdio de televisão para fazer comentário político uma vez por semana” e que "fala do que quer”, não tendo outro tipo de responsabilidades que não seja "agradar ou dizer a sua opinião" perante os eleitores.

E não podia faltar o caso Marcelo Rebelo de Sousa. Referindo-se ao caso “talvez mais palpitante” que é o da eleição do atual Presidente da República, lembrou que aquele "esteve anos e anos e anos como comentador" e que foi eleito sem um partido e com poucos meios, sendo por isso "um caso para ser estudado pela ciência política", considera.

Dando o exemplo de eleições ganhas com maioria absoluta, as de Cavaco Silva e José Sócrates, recordou que Cavaco ganhou duas maiorias absolutas num tempo em que ainda não havia televisão privada em Portugal, e tendo apenas uma estação de televisão publica, mas lembrou que na altura “havia muitas criticas da oposição no sentido de dizer ao governo para não instrumentalizar a comunicação social, neste caso a estação de televisão publica”.

No que respeita a Sócrates, Seguro fez questão de salientar que ganhou a primeira maioria absoluta para o PS “e até ao momento única” porque "teve previamente uma grande exposição mediática" como comentador, referindo-se aos comentários semanais que Sócrates tinha com Santana Lopes na RTP. “Não deixa também de ser interessante que Santana Lopes, antes de José Sócrates tinha sido primeiro-ministro não por via de uma eleição legislativa mas devido a saída de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, por indicação do PSD”, acrescentou para sublinhar que tudo foi fruto de "uma promoção que era feita naquele espaço de comentário" aos domingos.

Numa sala onde estavam cerca de 50 alunos estudantes de Ciência Política, António José Seguro considerou ainda que cada vez mais "os eleitores olham para os partidos não como representantes das suas instituições junto do Estado mas mais como representantes do Estado junto das próprias instituições” e por isso as pessoas "olham para os partidos não como aquilo que deveriam ser, mas como eles são. "E como o que são é diferente do que deviam ser, isso conduz a uma imagem negativa”, concluiu.