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Líder do PS Porto pede três meses para negociar apoio a Rui Moreira

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Luís Barra

Debaixo de críticas, líder da distrital pede tempo para finalizar acordo com Rui Moreira e anuncia consulta aos militantes e simpatizantes. Pizarro terá de solicitar à estrutura nacional do PS uma alteração aos estatutos do partido

André Correia

Pressionado no interior do PS Porto, o líder da federação, Manuel Pizarro, pediu ontem aos militantes três meses para negociar o apoio a Rui Moreira nas eleições autárquicas do próximo ano. Esse acordo será depois sufragado numa consulta a militantes e simpatizantes do PS Porto.

O anúncio foi feito ontem à noite por Manuel Pizarro durante a primeira reunião política realizada após a sua eleição como líder da Federação Distrital do Porto do PS, soube o Expresso.

As opiniões no interior da distrital do Porto do PS estão divididas. O apoio à candidatura do atual presidente da Câmara - facto que implicaria a falta de comparência do PS nas autárquicas de 2017 - ou a apresentação de uma candidatura própria numa cidade onde historicamente os socialistas sempre tiveram uma forte presença estão a provocar um intenso debate interno.

Dois a três meses. Terá sido este o tempo pedido por Pizarro à comissão política da distrital, de forma a chegar a um entendimento com Rui Moreira para o apoio – ou não – da sua candidatura. Segundo apurou o Expresso, o acordo será apresentado aos órgãos do partido e, posteriormente, submetido a uma consulta, aberta a todos os militantes e simpatizantes socialistas da cidade do Porto.

Para isso, Manuel Pizarro terá de solicitar à estrutura nacional do PS uma alteração aos estatutos do partido, de forma a permitir que não-militantes possam expressar-se sobre a apresentação de candidatos autárquicos, segundo explicação dada ao Expresso por fonte próxima do processo.

Recorde-se que, dentro do PS Porto, foram já várias as figuras a manifestarem-se a favor da apresentação de uma candidatura própria, em detrimento do apoio a Rui Moreira. O arquiteto José Gomes Fernandes, antigo vereador do Urbanismo e ex-vice presidente da Câmara no primeiro mandato de Fernando Gomes, afirmou ao Correio da Manhã que Manuel Pizarro “está a pôr-se de joelhos diante de Rui Moreira” e acrescentou que “o PS não pode andar a reboque de ninguém”.

Abrir mão da identidade do PS

Também a deputada socialista Isabel Santos, num artigo de opinião publicado no JN, escreveu que “vê com muita dificuldade” este apoio, sustentando que “ninguém entenderia” que o PS “abdicasse de ter uma candidatura com programa próprio” para a Câmara do Porto.

“Renunciar a isso, para apoiar uma candidatura independente que afirma, com sobranceria, que não aceitará condicionar em nada o seu programa de modo a alargar a sua abrangência, implicaria abrir mão da sua identidade e do seu espaço político de uma forma absolutamente inaceitável”, considera Isabel Santos, que em 2009 concorreu à Câmara de Gondomar. Na opinião da socialista, esta opção poderá acarretar “consequências imprevisíveis [para o PS] em termos do que é a sua implantação política na cidade, com impactos ao nível da região e do país".

Visão contrária tem Manuel Pizarro. Para o líder distrital e vereador municipal, que em 2013 disputou as eleições autárquicas contra Rui Moreira e Luís Filipe Menezes, "seria incompreensível para as pessoas do Porto que [o PS] protagonizasse uma candidatura contra" o atual presidente do município.

Quem já assegurou o apoio à candidatura de Rui Moreira foi o CDS, através da sua líder, Assunção Cristas, mantendo assim o posicionamento que o partido já havia tomado em 2013.

A CDU e o Bloco de Esquerda voltarão a apresentar candidaturas próprias. O mesmo deverá suceder com o PSD. Depois de Luís Filipe Menezes ter sido derrotado nas últimas eleições autárquicas, os nomes de Paulo Rangel, António Tavares e Emídio Gomes surgem agora como potenciais nomes fortes para encabeçar uma lista autárquica. Os próximos meses poderão desfazer a dúvida instalada do lado do PS.