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Jorge Tomé diz que balcões do Santander espalharam rumor sobre fecho do Banif

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José Carlos Carvalho

Ex-presidente do Banif disse na comissão de inquérito que semanas antes da resolução houve clientes da Madeira que levantaram depósitos depois de serem avisados em “vários balcões do Santander” sobre o fim do Banif

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Jorge Tomé fala num “movimento anormal”, mas não foi longe em detalhes. Questionado pelo deputado do PCP Miguel Tiago sobre se terá havido “intervenções do Santander em levantamentos nas últimas semanas” de existência do Banif, o último presidente deste banco confirmou que sim - houve casos em que clientes correram a transferir dinheiro para o Santander pois teriam sido avisados, nos balcões deste banco, sobre o iminente fecho do Banif.

“Houve um movimento algo anormal na Madeira”, confirmou Jorge Tomé. “Vários clientes que chegavam perto dos nossos balcões dizendo que vários balcões do Santander tinham dito que o Banif ia acabar em dezembro, portanto o melhor era transferirerem as contas para o Santander.” Tomé não precisou em que momento isso terá acontecido, mas, ao apontar para dezembro, seria antes desse mês. O que permite todo o tipo de especulação, pois em novembro, supostamente, ainda não está em cima da mesa nem a hipótese de venda urgente do Banif, nem, muito menos, o fecho do banco e venda do seu negócio ao Santander.

Já algum tempo circulavam informações de que o Santander, que veio a ficar com o negócio do Banif, teria alimentado especulações sobre a situação deste banco. Por essa razão, o CDS propôs que a CPI interrogue o principal responsável do Santander na Madeira, Victor Bettencourt Calado.

Segundo Jorge Tomé, esse “movimento anormal” registado na Madeira foi um “movimento significativo, embora sem resultados palpáveis. Mas que aconteceu”, insistiu o banqueiro aos deputados da comissão de inquérito ao caso Banif.

Algumas semanas depois, haveria outro “movimento anormal”, esse sim, com efeitos dramáticos, quando a TVI noticiou, a 13 de dezembro, a iminente resolução do Banif. Aí, sim: em resultado dessa notícia, a corrida aos depósitos retirou quase mil milhões do Banif, o que, nas palavras de Jorge Tomé, acabou por ser a sentença de morte do banco.