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Costa defende reposição dos feriados (e critica Passos): “Há valores que não podem estar à mercê de impulsos ideológicos”

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HUGO DELGADO / Lusa

“Há princípios, valores e acontecimentos fundamentais cuja memória e celebração não podem estar à mercê de cálculos ocasionais”

"A reposição destes feriados é justa e necessária", defendeu esta segunda-feira António Costa, argumentando que o restabelecimento dos quatro feriados que estavam suspensos desde 2013 constitui "um ato de pedagogia cívica".

Durante a cerimónia de reposição dos feriados, que aconteceu na Sociedade Histórica da Independência em Portugal, em Lisboa, o primeiro-ministro salientou que embora na política deva haver "pragmatismo", mais importante é a defesa dos "valores e princípios" nacionais - e deixou críticas implícitas ao anterior governo, que cortou quatro feriados durante o programa da troika. "Há princípios, valores e acontecimentos fundamentais cuja memória e celebração não podem estar à mercê de cálculos ocasionais, de impulsos ideológicos e de fins propagandísticos, mesmo quando se apresentam sob argumentos que os dissimulam ou disfarçam", sublinhou Costa, deixando um recado ao anterior Governo.

O chefe do Governo aproveitou ainda para recusar acusações de "facilitismo" ou populismo, acrescentando que a motivação para este restabelecimento dos feriados é "a profunda convicção de que celebrar as grandes datas da nossa história não é desperdiçar recursos, mas investir no futuro e criar valor para os vindouros".

Prometendo estar presente junto ao obelisco da Praça dos Restauradores, em Lisboa, no próximo dia 1 de dezembro para assinalar a Restauração da Independência de Portugal, Costa fez questão de referir que é "obrigação" dos portugueses celebrar estas datas "com sentido patriótico" com o objetivo de "mobilizar e unir o país".

"Não há continuidade nacional, nem passagem de testemunho, nem comunidade participada, nem democracia enraizada, nem renovação de gerações sem consciência e sem memória coletivas", lembrou Costa.

Os portugueses começam a aproveitar os feriados repostos já no dia 26 de maio, feriado móvel do Corpo de Deus. Do lote de feriados respostos fazem ainda parte o 5 de Outubro, que assinala a Implantação da República, e o 1 de novembro, dia de Todos os Santos, além do 1º de Dezembro, referido por António Costa.

O presidente da República promulgou o decreto do Parlamento que repõe os quatro feriados, dois religiosos e dois civis, no passado dia 18 de março, tendo na altura alertado para o facto de esta reposição poder "ter implicações económicas e financeiras não quantificadas, atendendo à alteração do contexto que a motivou".