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Política

Marcelo traz Mario Draghi ao Conselho de Estado

Luís Barra

Primeiro Conselho de Estado da era Marcelo vai ter um convidado especial. Presidente da República decidiu chamar o presidente do BCE para acompanhar o debate, que será sobre o programa de estabilidade e o programa nacional de reformas

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, aceitou o convite de Marcelo Rebelo de Sousa e vai estar na primeira reunião do Conselho de Estado da era Marcelo, que se realiza no dia 7 de abril no palácio de Belém. O Presidente também convidou Carlos Costa, governador do Banco de Portugal.

O tema da reunião são os dois documentos que o Governo português terá de entregar em Bruxelas até ao fim do mês - o programa de estabilidade e o programa nacional de reformas.

Com Portugal recentemente saído de um resgate e ainda a braços com uma apertada situação económica e financeira, a presença do homem que simboliza a instituição financeira da Europa (o dinheiro) ganha especial significado político.

Além de garantir impacto mediático máximo à reunião, a presença do presidente do BCE em Lisboa pretende ajudar a sensibilizar as instituições europeias para a situação portuguesa. Seis dias depois, a 13 de abril, será a vez de Marcelo Rebelo de Sousa se deslocar a Estrasburgo e discursar no Parlamento Europeu.

Na forja está uma intervenção a puxar pela importância de Portugal na União Europeia. E tudo isto confirma o que o novo Presidente da República já tinha anunciado: a intenção de ajudar o Governo a puxar pelo país, dentro e fora de portas.

Com Bruxelas a pedir reformas e Lisboa a precisar de dinheiro para as financiar, o convite ao homem que tem sido decisivo para salvar o euro no meio da tempestade e que recentemente voltou a tomar medidas para injetar dinheiro na economia tem simbolismo máximo e repercussões a ver.

O encontro começa às 14h00 com a posse dos novos conselheiros de Estado. Mas a reunião de facto do Conselho inicia-se às 15h00. Sobre a mesa vão estar os dois documentos que António Costa ainda irá negociar com o BE e o PCP, partidos que sustentam o Governo no Parlamento e que não é certo que consigam aceitar as eventuais exigências de Bruxelas.

Neste difícil equilíbrio, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu dar destaque máximo ao tema, apostado num entendimento o mais alargado possível em torno dos documentos.