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Marcelo apoia Costa e responde a Passos: “Justifica-se intervenção dos órgãos de soberania” na banca

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Marcos Borga

“Nem cheques em branco, nem preconceitos.” Eis Marcelo sobre a relação com o Governo, de quem recebeu cumprimentos em Belém. Sobre o sistema financeiro, o PR apoia Costa e respondeu a Passos: uma coisa são negócios privados, outra o interesse nacional

O Presidente da República aproveitou esta quarta-feira a receção ao Governo, que lhe foi prestar cumprimentos a Belém, para responder ao líder do PSD sobre o sistema financeiro. Passos Coelho pôs em causa a intervenção do primeiro-ministro, "e por maioria de razão do PR", nas movimentações em curso na banca. Marcelo responde: "justifica-se a intervenção ("é natural")" e "o desejável seria um consenso nacional nesta matéria".

Confirmando total alinhamento com António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que como chefe de Estado cumpre-lhe respeitar a Constituição. E foi em nome desse dever e da respetiva defesa do "interesse nacional" que considerou "natural" a intervenção do primeiro-ministro para garantir algum equilíbrio na origem dos capitais estrangeiros que entram na banca portuguesa.

Com o encontro (noticiado pelo Expresso) de António Costa com Isabel dos Santos como pano de fundo, Marcelo deu total apoio ao PM. "É natural que o Governo, aliás como todos os governos da UE e da zona euro, estejam permanentemente atentos à estabilidade do sistema financeiro, nomeadamente quando isso pode envolver processos legislativos", afirmou.

Considerando que "o desejável seria que esta matéria suscitasse um consenso nacional", Marcelo deixou claro que, não existindo esse consenso por o PSD estar contra o Governo, "a posição do Presidente só pode ser uma: apoiar o cumprimento da Constituição". Entenda-se: apoiar o Governo no que entende ser "o interesse nacional".

Aqui, Marcelo Rebelo de Sousa distingue "duas realidades" que avisa que "não devem ser confundidas": o PR "não pode aceitar a sobreposição do poder económico ao poder político" nem aceitar que este último se imiscua em negócios privados; outra coisa é "o cumprimento da Constituição, que subordina o poder económico ao poder político" e, aí, "justifica-se a intervenção dos órgãos de soberania em articulação com as entidades reguladoras" quando está em causa estabilidade do sistema financeiro..

António Costa aproveitou para renovar "o compromisso de cooperação institucional" com o Presidente. Marcelo respondeu-lhe que será um PR "vigilante e atento mas sem preconceitos". "Nenhum PR passa cheques em branco mas também nenhum PR deve ter preconceitos."

Marcelo ainda informou que os atentados em Bruxelas não alterarão a sua ida a Paris no 10 de junho. O programa mantém-se. O Presidente deixa a mensagem: "Não vacilamos, não temos medo".

Marcos Borga