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Novo Lido tem “papel central” no turismo do Funchal

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LUCÍLIA MONTEIRO

O complexo balnear requalificado, que nesta terça-feira foi inaugurado por António Costa, é uma aposta da Câmara funchalense na sua “estratégia municipal de turismo”, afirmou o Presidente da autarquia, Paulo Cafôfo

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

A Câmara do Funchal tem uma política para atrair visitantes à ilha e o complexo balnear do Lido, hoje inaugurado após obras de requalificação, é uma peça nesse xadrez. Quem o garantiu foi o presidente da autarquia, Paulo Cafôfo, nas palavras proferidas na tarde desta terça-feira.

A importância do Lido, disse Cafôfo, não se deve apenas à “sua relevância no mapa da oferta turística da região, mas também pela sua componente imaterial, cultural e de lazer”.

O complexo balnear, conjunto de piscinas e solários que permitem um acesso direto ao mar, é ponto de passagem obrigatória de sucessivas gerações de funchalenses desde a década de 30 do século passado. Os temporais de 2010 destruíram parte da estrutura, encerrada desde então.

“Hoje concretizamos um sonho com 6 anos: devolvemos o Lido aos funchalenses”, disse Paulo Cafôfo, para acrescentar: “Recuperamos memórias com os olhos postos no futuro. Cumprimos uma promessa, sabendo que esta é apenas mais uma etapa para construir um Funchal para todos”.

Mais adiante, prosseguiu: “Temos consciência da importância do Lido para o Funchal. É um espaço de memórias da infância, da juventude, dos momentos com a família. É um local nosso”.

Ameaça de remoínho

Um discurso em que o autarca (na Câmara desde 2013) não visitou ingenuamente os lugares comuns da retórica das inaugurações: fê-lo críticas diretas ao seu antecessor, com a particulatidade de este estar a ouvi-lo na primeira fila.
O projeto, nesta fase final, custou cerca de dois milhões de euros, 85% dos quais vindos de fundos comunitários.

“Conseguimos provar que é possível fazer investimento público virtuoso, com uma gestão financeira rigorosa apesar das dificuldades nas finanças do Município”, disse Cafôfo, antes de deixar o recado: “Quando tomámos posse, em 2013, herdámos uma situação financeira muito difícil. Existia uma dívida de 100 milhões de euros que, no espaço de dois anos e meio, foi reduzida em 30 milhões”.

Acontece que o antecessor de Cafôfo na Câmara foi o actual presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, o orador seguinte na sessão de inauguração.

Albuquerque falou de improviso, dirigiu-se sempre quase directamente ao Presidente da Câmara, mas iludiu qualquer das “provocações” do autarca.

O presidente do Governo Regional preferiu antes diluir os louros pela obra (que em rigor, nas suas primeiras fases, foi ainda desencadeada por si) por uma variedade de sujeitos: o atual presidente da Câmara, os vereadores, “o arquiteto Rosa, o autor do projecto” e aos técnicos e trabalhadores que meteram novamente o Lido de pé.

Antes disso, Albuquerque enquadrara o Lido numa “frente de mar” hoje muito apelativa e com potencialidades, que ultrapassa em muito o ponto onde está inserido o complexo balnear. O sucessor de Alberto João jardim evocou também nomes de figuras da natação madeirense (praticantes e professores), que “tiveram um papel decisivo no desporto regional”.

Do chuveirinho das palavras ao mergulho a sério

António Costa, o último a intervir, lançou uma bóia política em direcção ao empreendimento promovido pela Câmara Municipal, que “recupera a memória de um equipamento que faz parte da história de Funchal e da Madeira”.

E corroborou as palavras iniciais de Cafôfo: “O turismo cada vez mais requer uma oferta diversificada e de melhor qualidade”, de que o Lido é o exemplo.

Depois do chuveirinho dos discursos, Costa, Albuquerque e Cafôfo desceram até à beira da piscina, onde se realizou o “mergulho inaugural”. Coube a Emanuel Gonçalves, um madeirense de 26 anos e atleta paralímpico, campeão nacional de natação em várias provas.