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“Estamos preparados para enfrentar qualquer dura realidade”

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António Costa e Miguel Albuquerque apresentaram-se como dois velhos amigos das lutas autárquicas, preparados para defender os interesses nacionais

Marta Caires

Jornalista

O miradouro da Quinta Vigia é o mesmo, mas o primeiro-ministro é outro e de outra cor política, nada que faça confusão a António Costa ou Miguel Albuquerque, que esta terça-feira garantiram não existir conflitos entre a região autónoma e a República. Os problemas são para se ir resolvendo ao longo da legislatura: "Estamos preparados para enfrentar qualquer dura realidade", resumiu o presidente do Governo da Madeira.

O primeiro-ministro fez questão de sublinhar que está apostado em manter "uma relação de excelência com as regiões autónomas" e aproveitou para lembrar as conquistas dos madeirenses no mais recente Orçamento do Estado, durante a conferência de imprensa conjunta com o líder da Madeira, esta terça-feira, na Quinta Vigia, no Funchal: ps 69 milhões de euros do fundo de coesão, o tratamento igual a todos os utentes, tanto no Serviço Nacional de Saúde como no serviço regional, e a possibilidade de reconverter 75 milhões de euros de dívida comercial em dívida financeira.

A construção do hospital central do Funchal voltou a ser abordada no encontro desta manhã entre Costa e Albuquerque, mas para já o que ficou assegurado é que até junho será entregue o projecto de interesse comum.

Dito o que está feito, António Costa lembrou que é tempo dos portugueses olharem para as autonomias "como histórias de sucesso", que podem "melhorar todos os anos um pouco mais". O desenvolvimento da Madeira e do Porto Santo é um contributo para o desenvolvimento do país, sublinhou o primeiro-ministro. E logo Miguel Albuquerque acrescentou: os "portugueses têm de ultrapassar o o estigma" de que a Madeira é um peso.

O tempo é também de aproximação política e, de momento, nem António Costa nem Miguel Albuquerque encontram impedimentos para que tudo corra bem durante os próximos anos. São, como lembraram, dois velhos amigos que se conhecem das lutas autárquicas e não misturam os interesses nacionais com assuntos partidários."Estou aqui para trabalhar com qualquer Governo da República", prometeu o líder madeirense.

Menos de um ano depois de ter recebido Passos Coelho numa visita oficial de dois dias, o presidente do Governo regional recebeu António Costa num almoço na Quinta Vigia e acompanhou-o desde manhã cedo na visita de um dia à ilha. Não houve poncha, nem uma garrafa de Vinho Madeira para entregar, mas o ambiente foi descontraído.

"Fomos ambos autarcas", lembraram, e isso explica a capacidade para conversar e negociar seja com quem for. Ou, como depois resumiu Miguel Albuquerque, "estamos preparados para enfrentar qualquer dura realidade"

António Costa esteve também na Assembleia Legislativa, passou pelo Mercado dos Lavradores e tem ainda mais duas inaugurações na agenda: o complexo balnear do Lido e as novas instalações de uma empresa de informática na Ribeira Brava.

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