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Bloco Central à mesa na Madeira

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LUCÍLIA MONTEIRO

Os ventos de mudança que há na política portuguesa sopraram esta terça-feira no Funchal. O impensável durante anos, e até décadas, do consulado de Alberto João Jardim aconteceu: à volta da mesma mesa, descontraídos, juntaram-se PS e PSD; Governos da República e da Região; e também o autarca do Funchal e o líder do Executivo regional

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

A relação política e institucional entre Funchal e Lisboa, desde há muito tempo fria quando não bastante crispada, teve ao início da manhã desta terça-feira uma manifestação de sinal oposto, que parece indiciar uma nova era.

Depois de uma calorosa receção no Mercado dos Lavradores, na Baixa do Funchal, onde a muito custo António Costa conseguiu furar entre os clientes e as vagas de turistas atraídos pela riqueza de cores e de sabores do espaço, o primeiro-ministro retemperou forças na esplanada do mercado.

Junto a ele estavam os dois cicerones da visita: Paulo Cafôfo, presidente da Câmara do Funchal, e Miguel Albuquerque, o presidente do Governo Regional. Na mesma mesa corrida, sentavam-se ainda várias figuras do PS e do PSD na região.

Parecia um encontro de amigos – ao qual os jornalistas tiveram oportunidade de assistir durante alguns minutos, antes de serem convidados a afastar-se –, tal a descontração do momento. Algo impensável até há pouco tempo, quando Alberto João Jardim liderava o Governo da ilha e em Lisboa se sucediam os chefes de Governo (alguns dos maiores picos de tensão entre o continente e o arquipélago ocorreram mesmo quando em São Bento o inquilino era social-democrata, tal como Jardim).

LUCÍLIA MONTEIRO

Minutos antes, Costa percorrera muitos corredores do mercado, entabulara conversa com vendedores, mas fora sobretudo interpelado e saudado por quem àquela hora fazia compras ou por lá passava.

Por fim, no terraço-esplanada do Mercado dos Lavradores, Costa fazia tempo para a sessão seguinte da sua primeira visita oficial à Madeira: uma intervenção na Assembleia Legislativa regional.

Ao falar ante deputados regionais e outros eleitos pela Madeira à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu (além de membros do Governo regional e do seu presidente), o primeiro-ministro reiteraria “o compromisso de estabelecer um novo patamar de relacionamento e de partilha de responsabilidades que reforce os laços de solidariedade” entre os executivos da República e da Região.

Enquanto se aguarda para perceber em que medidas concretas se traduzirá esse “novo patamar”, a tensão política entre Lisboa e o Funchal foi esta manhã enterrada. Ainda que para esse desanuviamento de relações, ocorrida aos olhos do povo, concorra a visível competição local entre o Presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque (PSD), e o autarca do Funchal, Paulo Cafôfo, eleito por uma coligação liderada pelos socialistas.

A visita oficial à região, que termina esta tarde, é feita a convite do Governo da Madeira, mas o primeiro ponto da agenda é um equipamento municipal, pelo que tanto Albuquerque como Cafôfo tinham de estar com Costa – e ao mesmo tempo fazendo marcação cerrada um ao outro.

* Os jornalistas do Expresso viajaram a convite da Câmara Municipal do Funchal

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