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Costa troca zona franca da Madeira por Mercado dos Lavradores

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O primeiro-ministro inicia nesta terça-feira a primeira visita oficial ao Funchal. Com um programa diferente do inicialmente projetado

Marta Caires

Jornalista

Os empresários da zona industrial do Centro Internacional de Negócios do Funchal contavam receber António Costa nesta terça-feira, houve até contactos nesse sentido, mas os planos da primeira visita oficial do chefe do Governo ao arquipélago da Madeira mudaram.

Assim, o primeiro-ministro vai começar o dia no Mercado dos Lavradores, em plena Baixa do Funchal. Em vez da zona franca da Madeira, em parte associada às movimentações das empresas com sede em off shores, Costa optou por um local emblemático do Funchal (é o ponto mais visitado da ilha), local onde muita população faz as suas compras e que atrai cada vez mais turistas.
A visita de Costa à zona franca, um itinerário habitual do anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e do anterior Presidente da República, foi proposta pelo Governo Regional.

Na Madeira, o volte face agenda desta terça-feira, tem uma leitura política: a zona franca sempre foi uma bandeira da governação de Alberto João Jardim e do poder social-democrata, ao mesmo tempo que continua a receber fortes críticas da esquerda. Por outro lado, o Mercado dos Lavradores, espaço muito procurado durante as campanhas eleitorais, é um equipamento sob gestão municipal – e agora a câmara funchalense estás nas mãos de uma coligação liderada pelo PS.

O Expresso tentou obter um contacto do gabinete do primeiro-ministro sobre esta questão, mas sem êxito.

Madeira de Honra e sobretaxa sobre a mesa

Depois da ida ao Mercados dos Lavradores, Costa estará na Assembleia Legislativa da Madeira (o Parlamento regional). Haverá um "Madeira de Honra", que possibilitará o contacto de deputados de diversos partidos com o primeiro-ministro.

Depois, logo de seguida, António Costa terá um almoço da Quinta Vigia, sede do Governo Regional. Espera-se que na ocasião o primeiro-ministro e o presidente do Governo Regional façam uma declaração conjunta.

A preparação desta conferência de imprensa deverá ser feita também à mesa, mas já nesta segunda-feira. António Costa e Miguel Albuquerque têm marcado um jantar privado, logo depois da chegada à Madeira do primeiro-ministro.

O Orçamento de Estado de 2016 é o mais favorável à Madeira dos últimos anos, mas o Governo Regional insiste, por exemplo, que é receita regional a sobretaxa do IRS cobrada na Madeira e o PSD vai avançar com um pedido de inconstitucionalidade da norma orçamental que impede a transferência desta verba para os cofres da Região. Em 2015, representou 15 milhões euros. As previsões para este ano apontam valores entre 7,5 a 10 milhões.

Funchal reencontra a sua história

As questões políticas deverão marcar a agenda da deslocação de Costa, mas o ponto alto da jornada desta terça-feira será a inauguração do Lido.

O Lido, o mítico complexo balnear do Funchal, que desde a década de 30 do século passado é ponto de lazer obrigatória de famílias madeirenses, será reaberto na tarde desta terça-feira, depois de obras de requalificação. O Lido foi encerrado na sequência do mau tempo no fim de Fevereiro de 2010, uma semana após a grande aluvião.

Ainda que a visita seja oficial e a convite do Governo Regional, o primeiro-ministro aceitou o convite para inaugurar a obra mais importante da Câmara do Funchal, uma autarquia que é desde 2013 presidida por Paulo Cafôfo.