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PS ataca autárquicas já com aparelho nas mãos de Costa

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HUGO DELGADO / Lusa

Este fim de semana há 18 congressos em todo o país

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Partido Socialista vai mergulhar este fim de semana no seu momento introspetivo e realizar em simultâneo em todo o país os congressos das suas federações. São 18 ao todo, contando com os Açores. No continente, só não o fazem Coimbra e Guarda, que aguardam a decisão da Comissão Jurisdicional do partido devido à impugnação das eleições para os respetivos líderes (ver caixa).

É o toque de partida para a próxima batalha eleitoral: as eleições autárquicas de outubro de 2017. Depois das eleições de 2013, o PS tornou-se o maior partido autárquico, ao ganhar 150 das 308 câmaras municipais do país. Não será fácil mantê-las a todas, sobretudo quando se está no Governo. E nas grandes câmaras — Lisboa e Porto — prepara-se para tentar renovar a primeira mas desistir da segunda.

Os Açores têm uma batalha particular: pela mesma altura há de haver eleições regionais e Vasco Cordeiro, o presidente do governo e do PS/Açores, tem pela frente o desafio de renovar a maioria absoluta, numa altura em que o paradigma no país mudou. Cordeiro não foi um apoiante de primeira hora desta solução de governo e percebe-se porquê. Mas terá António Costa a apoiá-lo no encerramento do seu congresso, no domingo.

Os líderes das federações foram eleitos há duas semanas e são eles as caras que vão puxar o carro nos próximos dois anos — o tempo que durará o seu mandato. O estilo é tudo. Dos 18 eleitos, há sete que o são pela primeira vez. Mas também há veteranos que até já estão no Governo, como os secretários de Estado Pedro Nuno Santos (Aveiro) e Marcos Perestrello (Lisboa). Ambos se recandidatam pela terceira vez. Ana Catarina Mendes, a secretária-geral-adjunta, diz que houve uma “renovação geracional”.

O partido está mais ou menos pacificado, pelo menos à superfície. No congresso de junho, ver-se-á até que ponto a linha defendida pelo secretário-geral passa sem desafinações de maior. As guerras de há dois anos, que opuseram seguristas e costistas passaram, “até porque já não há Seguro”, como dizia ao Expresso um seu dirigente.

O próprio, que reapareceu em público na semana passada para apresentar o seu livro sobre a reforma no Parlamento, confirmou que “há mais vida além da política partidária”. Apesar disso, dois líderes reeleitos, António Gameiro (Santarém) e António Borges (Viseu), não renegaram a sua fidelidade a Seguro mas adaptaram-se com pragmatismo aos novos tempos.

Acordo a três em Lisboa?

Estar no poder ajuda a estabilizar e tanto mais nas circunstâncias atuais de um governo minoritário apoiado por uma aliança cujo cimento é preciso renovar às vezes em reuniões diárias. “A primeira tarefa é mesmo apoiar este Governo”, disse ao Expresso Marcos Perestrello.

O líder da Federação que preside à área urbana de Lisboa (FAUL) não duvida de que em Lisboa “se deve manter a linha” com Fernando Medina. Disse ao Expresso que “há condições para conseguir manter o projeto iniciado por António Costa em 2007 e que é natural e desejável que o PCP e o Bloco de Esquerda venham a apoiar o candidato do PS”. Dos 11 concelhos do distrito, o PS governa sete (em primeiros mandatos) e Perestrello defende a sua recandidatura.

A linha das alianças não parece ser a preferida no resto do país, sobretudo a sul, onde o partido se bate com o PC, seu aliado de Governo. Em Setúbal, o novo líder, António Mendes (irmão de Ana Catarina) tem presente que 65% dos eleitores votaram no PS, PC e BE, mas também que das 13 câmaras só tem duas. O desempenho do Governo vai ser fundamental nos resultados.

No Porto, a vitória de Manuel Pizarro pôs fim ao diferendo que opunha os socialistas do distrito sobre a candidatura à câmara. “Temos um acordo com Rui Moreira e o balanço que o PS faz é muito positivo. Temos trabalhado bem e com lealdade”, disse o novo líder ao Expresso, praticamente antecipando uma decisão de não candidatura autónoma. A troco de um segundo lugar? “Se apoiarmos, não será numa lógica de mercearia”, respondeu. Não é pacífico num partido onde outras vozes defendem que o PS se tem de afirmar sempre.

Por outro lado, Pizarro quer garantir de novo a câmara de Matosinhos para o PS. E o seu primeiro gesto depois do congresso, disse ao Expresso, é convidar o presidente da Câmara, Guilherme Pinto, a refiliar-se no PS, do qual se desligou nas últimas eleições. “Há que aprender com os erros”, afirmou.