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Presidente ao encontro do Papa que recuperou o Concílio Vaticano II

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Marcelo Rebelo de Sousa conversa com o chefe do protocolo oficial do Vaticano. monsenhor Jose Avelino Bettencour, à chegada ao aeroporto de Fiumicino, em Roma

TELENEWS / EPA

Marcelo Rebelo de Sousa reúne-se esta quinta-feira, a sós, com o Papa Francisco, naquela que é a sua primeira visita oficial ao estrangeiro, oito dias depois de tomar posse

Alexandra Simões de Abreu

Alexandra Simões de Abreu

, em Roma

Jornalista

Depois do encontro com o Papa Francisco, o Presidente encontra-se com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, visita a Basílica de São Pedro e a capela Sistina e parte de seguida para Madrid, onde vai ser recebido pelos Reis de Espanha.

O Presidente viajou esta quarta-feira para o Vaticano, praticamente incógnito, num voo comercial, fazendo-se acompanhar por uma comitiva de oito pessoas, entre elas José Luis Carneiro (secretário de Estado das Comunidades), José Augusto Duarte (assessor para as relações internacionais), o chefe de protocolo e três seguranças.

Sem assessores de imprensa ou fotógrafos oficiais – só se juntam à comitiva ao final do dia, em Madrid –, o Presidente foi recebido pelo embaixador de Portugal junto do Vaticano (António Almeida Ribeiro) e pelo embaixador em Roma (Manuel Lobo Antunes), seguindo de imediato para um encontro, a seu pedido, com mais de 30 elementos do clero português com cargos em Roma.

Apesar de não estar prevista qualquer declaração aos jornalistas, Marcelo acabou por responder a algumas perguntas na Sala dos Mapas da residência da Embaixada portuguesa junto do Vaticano, aproveitando a ocasião para revelar publicamente que leva consigo “uma carta formal da República Portuguesa a convidar Sua Santidade a visitar Portugal” em 2017, por altura do centenário das aparições de Fátima.

Embora represente um Estado laico, o PR, que nunca escondeu ser católico praticante, voltou a justificar a sua escolha como forma de “agradecimento" pelo facto do papado – que corresponde ao Vaticano de hoje –, ter sido a primeira entidade internacional a reconhecer a nossa independência, em 1179, “numa altura em que Portugal ainda travava muitas batalhas por essa independência”.

Sendo duas personalidades que procuram aproximar-se dos cidadãos e que cultivam a imagem dos afetos, o Papa Francisco e o chefe de Estado português têm também em comum a facilidade em quebrar protocolos. Instado a comentar essas semelhanças, Marcelo diz ser “desproporcionado” estar a comparar-se ao Papa, mas aproveita para elogiar Sua Santidade afirmando que Francisco “retoma muita da tradição do Concílio Vaticano II” que marcou a sua juventude.

Recorde-se que o concílio convocado pelo Papa João XXIII e concluído por Paulo VI nos anos 1960 revolucionou a Igreja Católica e terminou, por exemplo, com as missas celebradas em latim e de costas para os fiéis.

“O Concílio Vaticano II representou uma mudança apreciável em muitos aspetos da vida da Igreja Católica, no ecumenismo, na abertura às outras religiões, na sensibilidade ao novo mundo, na preocupação com uma forma de celebração de rito que aproximasse a igreja das pessoas”, explica o chefe de Estado, recordando que na altura era um adolescente e que agora, 50 anos depois, vem “reencontrar uma preocupação muito grande com temas que continuam a ser atuais”. É o caso da globalização que trouxe atualidade ao diálogo entre as religiões e o apelo à paz, à justiça, a procura dos mais pobres e mais esquecidos”. Esta é uma mensagem que segundo Marcelo Rebelo de Sousa “tem tocado crentes, dos mais variados, e não crentes pela forma genuína como o Papa pensa, fala e atua”. Reconhecendo que Francisco é “uma personalidade dos afetos” e tem sido “uma luz muito importante num tempo de guerra, de injustiça e confrontos”.

Antes do jantar, o Presidente garantiu que ainda não pensou no pouco tempo que vai ter para apreciar o Orçamento do Estado, que foi esta quarta-feira aprovado pela maioria de esquerda, com os votos contra do PSD e CDS e a abstenção do PAN. Na semana passada, após a primeira reunião semanal entre o PR e o primeiro-ministro, este disse ter “esperança de que o Orçamento possa entrar em vigor antes do dia 1 de abril”, mas esta quarta-feira Marcelo não parecia nada preocupado com os timings: “Ainda não pensei. Agora, aqui, estou numa outra onda. Teremos oportunidade para a semana de falar nisso”.