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PSD “muito disponível” para discutir reformas mas Governo tem de “andar para trás”

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ANDRÉ KOSTERS / Lusa

Passos Coelho diz que o PSD até “estaria disponível” para discutir com o Governo “uma segunda geração de reformas”, mas para tal seria necessário que o Executivo seguisse outra estratégia

Pedro Passos Coelho afirmou esta quinta-feira em Bruxelas que os sociais-democratas estão "muito disponíveis para discutir as reformas", mas salientou que para tal é necessário que o Governo "ande para trás" na sua política de as "desfazer".

À entrada para uma reunião do Partido Popular Europeu (PPE), o líder do PSD foi questionado pelos jornalistas sobre a disponibilidade do seu partido para discutir com o Executivo socialista o programa nacional de reformas e respondeu que o seu partido nunca fica de fora de nenhum debate, tendo salientado a "conhecida divergência" em matéria de estratégia económica. E lembrou: "Durante os anos das dificuldades", o seu Governo nunca contou "com o apoio do PS para vencer nenhuma das dificuldades".

Assegurando que "não há nem nenhum rancor nem nenhum azedume" no PSD – refutando assim as declarações da véspera do primeiro-ministro António Costa, Passos asseverou que o seu partido até "estaria disponível" para discutir com o Governo socialista "uma segunda geração de reformas", mas para tal seria necessário que o atual Executivo seguisse outra estratégia.

"Nós estamos muito disponíveis para discutir as reformas, mas parece-me muito importante que o Governo ande para trás naquilo que tem vindo a desfazer de reformas anteriores. Desde a área laboral, à educação, à economia, é muito importante que o Governo mude de agulha e mude de estratégia", disse.

O líder do PSD sustenta que "se não mudar de estratégia, então aquilo que [o Governo] vai fazer é continuar a insistir num modelo económico que nem vai atrair investimento, nem vai prosseguir com reformas estruturais, e assim dificilmente terá equilíbrio orçamental, e portanto [será necessário] um esforço adicional para colocar Portugal fora do 'vermelho' no que respeita à trajetória da dívida a médio prazo".

O antigo primeiro-ministro insistiu que não se conhece "nesta altura nenhuma intenção de impulso reformista da parte do Governo, antes pelo contrário, [pois] o que o Governo está a fazer é a propor é desfazer no essencial muitas das reformas que foram feitas nos últimos anos" pelo Governo PSD/CDS-PP que liderou.

"Infelizmente, o que estamos a assistir é um filme que já vi, eu pessoalmente já vi e os portugueses possivelmente já viram, que é o de fazer de conta que os problemas não existem, portanto ignorá-los de alguma maneira, e, um bocadinho 'à boleia' do esforço que já fizemos nestes anos, o que é preciso agora é aliviar tudo", afirmou, acrescentando que essa é uma "estratégia errada" que levará o país a pagar a prazo "um preço mais elevado", como já se pagou no passado.

"Não tem nada a ver, como vê, nem com azedumes, nem com birras, nem com coisa nenhuma, tem a ver com a leitura que temos dos factos", rematou.

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    “O PSD acha que nada pode acontecer sem o PSD, mas há uma coisa que eles terão de se convencer um dia: continuaremos a ter dia e continuaremos a ter noite, mesmo que o PSD não contribua para isso”, respondeu o primeiro-ministro às declarações anteriores de Passos, quando manifestaram disponibilidade para discutir o programa de reformas desde que o Governo não persistisse em desfazer o trabalho do Governo anterior