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“E pronto, foi muito bonito e emocionante”: Marcelo no Vaticano

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MIGUEL A. LOPES / Lusa

Marcelo não diz, mas dá a entender que o Papa poderá mesmo vir a Portugal para o ano. Francisco e o Presidente português trocaram presentes, histórias, cortesias. E o Vaticano não escondeu a satisfação pela reposição dos feriados em Portugal

Alexandra Simões de Abreu

Alexandra Simões de Abreu

enviada ao Vaticano

Jornalista

Com os olhos de Portugal e do mundo no Brasil, devido à instabilidade que o país atravessa, o Presidente da República não quis comentar a situação por considerar que não deve falar de outros estados “e muito menos” da sua vida interna política, económica e social.

Marcelo falou aos jornalistas antes de partir para Madrid, onde é recebido no Palácio Real pelos reis de Espanha, e fez já um “balanço muito positivo” desta sua primeira visita enquanto Presidente. Apesar de não querer revelar muito daquilo que foi a sua audiência a sós com o Papa - “tenho muita dificuldade em contar uma conversa que pela sua natureza é muito reservada” -, confessou que a cerimónia foi muito “impressiva”, porque ficou patente o modo como Francisco “acompanha o que se passa em Portugal e o apreço que tem pelos portugueses”. E deu a entender que o Papa terá aceitado o convite para visitar Portugal em maio de 2017. “Não estou autorizado a dizer publicamente qual a posição do santo padre. O máximo que posso dizer é que saí muito feliz da audiência. Com isto penso que respeito exatamente o teor da audiência nos termos em que ela decorreu.”

O Presidente contou que o Papa lhe recordou os tempos de infância, em que se habituou a “lidar muito cedo com os portugueses migrantes na Argentina, um povo trabalhador humilde, sério, fraternal e solidário”. Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco referiu-se a Portugal “de um modo muito carinhoso” e mostrou que “percebe a vocação universal dos portugueses”, o que para si, enquanto Presidente, “é muito significativo”.

Durante a meia hora que durou o encontro, no qual o Papa falou em espanhol enquanto o novo Presidente optou por “um português na transição para o espanhol”, assumiu o próprio, ainda houve tempo para a tradicional troca de presentes, que, da parte do chefe de Estado português, tinha implícitas duas componentes: por um lado, o Presidente ofereceu seis casulas de desenho do arquiteto Siza Vieira, “manufaturados por uma empresa portuguesa”; por outro, fez questão de levar um “presente pessoal, afetivo, personalizado” - um registo alusivo ao Santo António de Lisboa, para que o Papa “entendesse e compreendesse o seu significado”. Marcelo explicou que é há muitos anos um colecionador de registos e que escolheu “talvez um dos mais bonitos” da sua coleção privada.

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Marcelo recebeu das mãos de Francisco um medalhão no qual se salientam dois ramos de oliveira, em representação da paz, e dois livros encadernados: a exortação apostólica “Alegria do Evangelho” e a encíclica “Laudato Sii”, os dois documentos mais importantes do seu pontificado. “Os governantes têm como obrigação construir a paz”, ouviu Marcelo do Papa.

O novo Presidente salientou que a preocupação com a paz no mundo, ligada ao desenvolvimento económico e social, “é um tema muito atual na UE por causa dos refugiados”. Marcelo lembrou também que, nesta altura, uma das grandes questões que se levantam é "como é que a UE, fiel às suas raízes, valores e princípios, vai lidar com a realidade dos refugiados”. O presidente fez questão de sublinhar que “Portugal tem sido exemplar”, uma vez que “em termos proporcionais” foi “o primeiro país da Europa a acolher refugiados e em termos de valores absolutos é o terceiro”.

Depois da audiência com o Papa seguiu-se o encontro com o secretário de Estado do Vaticano, cujo cargo é equiparável ao do primeiro-ministro português. “Foi um momento muito estimulante intelectualmente” com o cardeal Pietro Parolin, que “desde já confirmou a sua presença, primeiro em Lisboa e depois em Fátima, nos dias 12 e 13 de outubro deste ano”, adiantou o Presidente. Na reunião, falada em inglês, passou-se em revista uma série de temas importantes para a atual situação económica política e social mundial, nomeadamente as questões que respeitam aos refugiados.

Antes de sair da residência da embaixada portuguesa junto ao Vaticano, a “Villa lusa”, o Presidente da República ainda teve tempo de revelar aos jornalistas ali presentes que já tinha em cima da mesa o diploma dos feriados e o que o vai promulgar esta sexta-feira. “Curiosamente, também esse tema suscitou agrado pela Santa Sé”, disse, concluindo: “E pronto, foi um momento muito bonito e muito emocionante”.

Esta noite, no Palácio Real, Marcelo Rebelo de Sousa tem um encontro alargado com o rei de Espanha, D. Filipe VI, seguindo-se os cumprimentos da rainha Leticia e o jantar oferecido pelos reis em honra do Presidente da República.