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Política

CPLP: Portugal divide com S. Tomé secretário-executivo

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No final da reunião de ministros da CPLP, foi anunciada a decisão de dividir o cargo de quatro anos entre os dois países

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Portugal e S.Tomé e Príncipe vão dividir o próximo mandato do secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O mandato, de quatro anos, será exercido nos primeiros dois anos por um são-tomense e, nos dois seguintes, por um português.

Esta foi a solução de consenso a que chegaram os oito ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP que se reuniram esta quinta-feira em Lisboa para abordar não só uma nova visão estratégica para a organização, mas também para dirimir a divergência relativa a quem tinha direito a exercer o cargo.

Portugal tinha anunciado que era candidato, por ser agora a sua vez, de acordo com o critério rotativo por ordem crescente que está estabelecido nos estatutos da CPLP, mas alguns países, como Cabo Verde, Angola e S. Tomé, tinham contestado essa pretensão. S. Tomé teria já mesmo avançado com um candidato.

Segundo dirigentes destes países, teria havido um "acordo de cavalheiros", ou um "compromisso não escrito", na altura da fundação da CPLP, em 1996, segundo o qual Portugal, por ser o país-sede da organização, não assumiria esse cargo.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português afirmou repetidamente que desconhecia tal norma, sendo que o primeiro-ministro cabo-verdiano ao tempo, Carlos Veiga, bem como os primeiros secretários-executivos (o angolano Marcelino Moco e o também cabo-verdiano Luiz Fonseca) também disseram que não existia tal compromisso.

Perante a divergência de entendimentos, os ministros acordaram discutir o assunto em conjunto na reunião que decorreu esta quinta-feira.