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Líder da JSD nega “golpada”: “Não há aqui nada a esconder”

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Jornal “i” escreve esta quarta-feira que o líder da JSD antecipou o congresso “para poder ser eleito antes de fazer 30 anos”. ”Golpada na JSD”, titula o “i”. Ao Expresso, o deputado nega que a decisão levante problemas éticos

“Não é uma coisa do outro mundo.” As palavras são de Cristóvão Simão Ribeiro, atual líder da Juventude Social Democrata (JSD), em resposta à polémica que o envolve por o congresso da estrutura ter sido antecipado, permitindo que se possa recandidatar a um segundo mandato ainda com 29 anos (a idade limite para se ser militante da juventude é de 30 anos).

O congresso que vai eleger o novo líder da estrutura deveria realizar-se em janeiro do próximo ano, pouco depois de Cristóvão Simão Ribeiro finalizar os dois anos do primeiro mandato. No entanto, o encontro foi agora antecipado para 29 de abril a 1 de maio deste ano no distrito de Leiria, um mês depois do congresso do PSD (que acontece a 3 de abril, em Espinho). A alteração nas datas permite assim que Simão Ribeiro, que celebra o 30º aniversário a 13 de maio, se possa candidatar novamente à liderança da JSD.

Ao Expresso, o deputado explica que a decisão "foi tomada por unanimidade e sem uma única abstenção" no conselho nacional da JSD, órgão máximo da estrutura, e por isso não levanta problemas éticos: "Se sentisse que esta não era a vontade da estrutura não me candidatava, como é evidente. Foi uma obrigação moral e quase afetuosa".

A decisão de antecipar o congresso prende-se com outros fatores que não têm que ver com a sua reeleição, argumenta o atual líder da JSD. "A comissão política nacional e o conselho nacional entenderam que havia necessidade de refletir sobre a adequação ao ciclo político atual, uma vez que estávamos preparados, tal como o PSD, para ser Governo, e agora estamos num cenário único em Portugal."

Por isso, prossegue o deputado, ficou decidido que seria desejável fazer coincidir os ciclos políticos de PSD e JSD, além de ser conveniente haver uma maior distância em relação às próximas eleições autárquicas, que deverão acontecer em dezembro de 2017, dando tempo para a sua preparação.

Para a decisão terá contribuído também o facto de não se prever que haja qualquer oposição, sendo a lista encabeçada por Simão Ribeiro uma lista única. "A decisão foi esmagadora e unânime", sublinha o líder da JSD, que garante que o fator da idade nada teve que ver com a antecipação do congresso: "[A nova data] coincidiu com a possibilidade de me recandidatar, mas podia não ter coincidido. Uma vez que a estrutura percebeu que seria possível, solicitou-me que me recandidatasse e eu não virei costas à JSD".

"Não há nada a esconder"

Questionado sobre a chamada de capa do "i" desta quarta-feira, intitulada "Golpada na JSD", Simão Ribeiro comenta: "É no mínimo insólito e lamentável que se chama golpe a uma candidatura que cumpre todos os procedimentos legais. Não há aqui nada a esconder".

Os estatutos da JSD preveem que quem atingir a idade de 30 anos perca a qualidade de militante, estabelecendo também que "atendendo ao princípio da estabilidade de mandatos", os militantes que atingirem esse limite etário enquanto cumprem um mandato em qualquer dos órgãos da estrutura podem manter a qualidade de militante até o completarem.

Até agora, foram vários os líderes da estrutura que terminaram os mandatos, tendo já cumprido o 30º aniversário, como é o caso de Hugo Soares, o anterior líder da JSD (que deixou o cargo com 31 anos), ou o seu antecessor Duarte Marques (com 30). No entanto, em ambos os casos os antigos líderes só cumpriram um mandato à frente da JSD, pelo que o problema da recandidatura não se colocou.