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“Efectivos” ou “efetivos” e “Lages” ou “Lajes”? Os problemas de Marcelo nas primeiras promulgações

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ANTÓNIO COTRIM / LUSA

Na nota em que comunica as primeiras promulgações, o Presidente deu um erro e escreveu com a antiga grafia. Entretanto, os erros já foram corrigidos

“Escrevi assim toda a vida. Não vou mudar”, dizia Marcelo Rebelo de Sousa em 2014 sobre a implementação do novo acordo ortográfico. E parece que nem o cargo como Presidente da República o vai fazer mudar. Esta quarta-feira, o novo Chefe de Estado promulgou os dois primeiros diplomas no exercício de funções e na nota em que dá conta dessas assinaturas surge a palavra “efectivos”, ainda com o “c” da antiga grafia, avançou o “Jornal de Negócios”.

“O primeiro [diploma] diz respeito aos apoios sociais, a ilha Terceira, destinados a compensar os prejuízos resultantes da redução de efectivos na Base das Lages”, lia-se na página oficial da presidência, segundo o “Negócios”.

O acordo ortográfico é assunto polémico e durante o debate sobre a sua implementação, Marcelo manifestou ser a favor, embora admitisse que iria continuar a escrever da mesma forma. Por exemplo, ainda há duas semanas (já como Presidente da República eleito) escreveu um artigo de opinião no Expresso em que utilizou a antiga grafia. Além disso, o livro sobre a sua campanha eleitoral, “Afectos”, com as fotografias de Rui Ochoa, também é escrito em modo pré-acordo.

Mas voltemos à nota sobre a promulgação dos dois diplomas. A lei manda que todos os documentos do Estado cumpram o acordo ortográfico de 1990 (que entrou em vigor em 2009). Não foi isso que esta quarta-feira aconteceu. A palavra “efectivos” perdeu o “c”, pois segundo a base IV das sequências consonânticas, artigo 1 alínea c), a consoante “elimina-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo”.

Outra palavra que chamou à atenção na mesma nota foi “Lages” com “g” e não com “j” em referência à Base de Lajes, nos Açores. Escreve-se com “j”, uma vez que o nome remete para a freguesia onde a base aérea está instalada.

Entretanto, o Palácio de Belém já procedeu à alteração do comunicado. O “efetivos” já ficou sem “c” e as “Lajes” já têm “j”.