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“Jornal de Angola” elogia Portas

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© Hugo Correia / Reuters

O diário estatal angolano, que é sempre muito crítico de Portugal, defende o antigo vice-primeiro ministro no editorial de segunda-feira. Alerta para a importância de Angola na diplomacia portuguesa e para o risco da “tendência para a judicialização” das relações entre os dois países, citando Paulo Portas

O “Jornal de Angola” teceu vários elogios a Paulo Portas no editorial de segunda-feira, sublinhando a importância das relações bilaterais defendida pelo antigo líder do CDS no congresso do partido este fim de semana. Sob o título “O apelo de Paulo Portas”, o diário estatal angolano – que tem feito duras críticas a Portugal – cita algumas das afirmações do antigo vice-primeiro ministro relativas à relação diplomática entre os dois países lusófonos.

“Paulo Portas foi claro em realçar a importância de Angola na diplomacia portuguesa e defendeu que Portugal ‘não está em condições de (a) substituir’ na política externa. (...) O antigo líder do CDS-PP (Centro Democrático e Social - Partido Popular) fez ainda referência à ‘tendência para a judicialização’ das relações entre Portugal e Angola, tendo considerado que “isso seria um caminho sem retorno”, escreve o “Jornal de Angola”.

Elogiando a “lucidez e inteligência” do antigo governante português, o diário angolano lamenta que as autoridades de Lisboa – na sua opinião – não respeitem as leis do direito internacional, referindo o facto de o vice-presidente da República angolano Manuel Vicente ser suspeito no escândalo de corrupção conhecido como 'Operação Fizz'.

“A visão de Paulo Portas é, pois, a de um político com ideias fundadas na experiência e maturidade relativamente ao modo mais justo e adequado de conduzir as relações entre Estados, salvaguardando não apenas os interesses bilaterais mas, acima de tudo, respeitando as mais elementares normas do direito internacional”, refere o diário.

Defende ainda que Portas, enquanto governante, demonstrou o seu “empenho pessoal” com vista ao reforço do diálogo e da cooperação bilateral.

Relativamente à “judicialização das relações” entre os dois países, o editorial acusa as entidades portuguesas de “conduta traiçoeira”, referindo que Manuel Vicente manifestou a sua total disponibilidade para esclarecer as suspeitas de corrupção que recaem sobre si.“De facto, o facto mais recente de ‘judicialização das relações’ entre Portugal e Angola, e consequente aproveitamento pela comunicação social lusa para manchar a imagem de dignitários angolanos, tem a ver com notícias postas a circular, a partir de Lisboa, dando conta de um alegado envolvimento do Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, num escândalo revelado no âmbito da denominada ‘Operação Fizz’.”

“A verdade é que certos círculos entenderam transformar Portugal numa plataforma de ataques soezes contra Angola e os seus dirigentes. É claro que isso não aproveita à excelência das relações que se pretende entre os dois países”, conclui.

Este fim de semana, Paulo Portas disse à margem do 26.º Congresso do CDS que já tem definido o seu futuro profissional, não adiantando porém pormenores. “Estou a preparar uma vida profissional que não depende só de mim. Haverá um momento em que eu vos direi o que vou fazer. São várias coisas. Saberão tudo no momento certo.”