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Política

Críticos de Cristas conquistam 1/4 do Conselho Nacional

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Rui Duarte Silva

Lista liderada por Filipe Lobo d'Ávila elegeu 16 conselheiros nacionais, mais do que valiam os opositores internos no tempo de Portas

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

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Jornalista da secção Política

A lista liderada por Filipe Lobo d'Ávila, contra a lista oficial apresentada por Assunção Cristas, recebeu 288 votos e conseguiu eleger 16 membros para o Conselho Nacional do CDS, chegando aos 23%. Ou seja, conquistou quase 1/4 do órgão mais importante do partido entre congressos. A Lista A, encabeçada por António Lobo Xavier, elegeu 54 conselheiros nacionais.

A representação alcançada pela alternativa a Cristas fica bastante acima do peso que tinham os críticos internos no tempo de Paulo Portas. O movimento Alternativa e Responsabilidade (AR), que assumiu esse papel nos últimos congressos, teve como melhor resultado de sempre 170 votos, que corresponderam a 16,6%.

Neste congresso, o AR não só não se assumiu como corrente divergente como se integrou nas listas de Cristas, com o seu líder, Filipe Anacoreta Correia a ser indicado para a comissão executiva, o órgão mais restrito de aconselhamento da presidente.

O resultado alcançado por Filipe Lobo d'Ávila ficou na fasquia que os críticos tinham estabelecido para si próprios: o o objetivo mínimo eram os 20%. O facto de alguns líderes das estruturas locais se terem candidatado neste lista - nomeadamente o presidente e vice-presidente da distrital de Braga, uma das mais importantes do CDS - terá sido determinante para este score eleitoral.

Divergências sobre estratégia e sobre nomes

Juntando diversos dirigentes locais de distritais e concelhias, a Lista B foi o resultado de uma moção de estratégia que se apresentou em defesa de um CDS mais ideológico e vincadamente mais conservador do que aquilo que foi proposto por Assunção Cristas. Entre outras propostas, os subscritores desta moção defendiam a reversão gradual da atual legislação sobre o aborto.

Para além das divergências sobre o posicionamento do partido (que Cristas quer mais pragmático), a oposição à nova líder teve motivações nas escolhas de Cristas para a futura direção do partido. E, do passado, trazia também uma boa dose de descontentamento em relação às escolhas feitas por Paulo Portas para as listas de candidatos a deputados nas eleições legislativas. Um cocktail que este fim de semana se traduziu em 170 votos desalinhados.