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As quatro prioridades da nova presidente do CDS

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Rui Duarte Silva

Curto e conciso, o primeiro discurso de Assunção Cristas como líder do CDS identificou quatro prioridades: a reforma da segurança social, a revisão do modelo de regulação e supervisão, a uniformização do regime laboral público e privado, e o apoio às empresas privadas

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Assunção Cristas tomou boa nota dos que, ontem, no primeiro dia dos trabalhos do congresso do CDS, lhe criticavam não apresentar nenhuma bandeira em particular. Este domingo, já eleita presidente do partido (com uns expressivos 95%), subiu ao palco não com uma mas com quatro bandeiras, a “agenda concreta de prioridades” que leva para o exercício do mandato.

A primeira, a reforma da segurança social - matéria em que se antecipa ao PSD. Cristas entende que é “um problema demasiado relevante para ser ignorado” e assegura que o CDS o irá estudar com profundidade, estendendo o desafio aos demais partidos: “Prefiro a estabilidade que o consenso traz ao isolamento que nada acrescenta”. Se os outros, nomeadamente o PS, respondem ou não é lá com eles, fica registado: “Se o PS recusar, cai a máscara a António Costa”.

A segunda, a revisão da regulação e supervisão por entidades independentes, nomeadamente a alteração do sistema de nomeação do governador do Banco de Portugal. Mas distancia-se do Governo - e também de Portas que, ontem, sugeriu a Carlos Costa que se demitisse - ao assegurar que “dizer que o modelo tem de ser melhorado não é criticar pessoas [em concreto]”. “Não contem connosco para fazer política partidária nesta matéria”.

A terceira, a uniformização entre público e privado no que respeita a direitos laborais. Porque “não podemos aceitar que tenhamos dois países em matéria laboral”. Mas, acrescentou, da mesma maneira que admite que “não faz sentido que uns trabalhem 40h e outros 35”, sugere o estudo do “alargamento da ADSE a todos quantos o desejem”.

Por fim, a definição de uma estratégia abrangente de apoio às empresas, que passe pela identificação dos obstáculos setor a setor (no âmbito da fiscalidade, das barreiras de acesso às atividades, da diminuição dos custos de contexto). “O PS não acredita nas empresas privadas, nós acreditamos”, proclamou, provocando a maior ovação da assistência ao seu discurso (e assim mostrando que há setores tradicionais do eleitorado que a sua estratégia de crescimento não pretende negligenciar). No fim do Congresso, António Saraiva, presidente da CIP, subiu ao palco para cumprimentar Cristas de forma expansiva.

“Oposição firme e acutilante”

Ainda sem certezas sobre quando serão as próximas legislativas, mas preparada para liderar o partido rumo às eleições durante o tempo que for preciso, e fazer do CDS “a primeira escolha dos portugueses”, com protagonistas “que não têm medo de arregaçar as mangas e pôr as mãos na terra”, a presidente centrista promete uma “oposição firme e acutilante” a denunciar “os erros e os riscos” de uma governação que classifica como “irresponsável e errática”.

Vendo no Governo um “PS igual a si mesmo”, que só sabe governar a “dar o que não tem, a prometer o que não consegue cumprir”, faz votos para que “as contas à moda socialista batam certo”. “Oxalá”, diz, sem grande convicção: “Nunca foi assim e infelizmente ainda não desta que será”. A prova vê-a na “ilusão” que é o Orçamento do Estado para 2016, que será aprovado na Assembleia da República na próxima semana: “É o orçamento ideal para entrar em vigor no dia 1 de abril”.