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Portas pede ao CDS que não perca tempo a discutir lugares

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Rui Duarte Silva

Líder sai com alerta contra “divisões sem sentido” num momento em que Assunção Cristas ainda não fechou arrumação dos futuros dirigentes do CDS

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Paulo Portas elogiou, no seu discurso de despedida como líder do CDS, a "transição ordenada" que se está a verificar na presidência do partido, mas não deixou de fazer um alerta contra "divisões sem sentido". Um aviso que surge quando Assunção Cristas está a ultimar as listas da futura direção, num processo que tem causado alguma tensão entre os que saem ou são despromovidos - logo, à partida, pelo facto de reduzir para metade o número de vice-presidentes.

Conforme o Expresso notícia este sábado na sua edição semanal, Cristas está a preparar uma equipa que corresponde a um equilíbrio entre continuidade e renovação, tendo tomado a decisão de nomear apenas três vice-presidentes (Portas nomeou sete) e equilibrar a relação entre homens e mulheres. Os vice-presidentes, tal como o Expresso adiantou, serão Nuno Melo (que mantém esse cargo), mais Adolfo Mesquita Nunes e Cecilia Meireles, que eram vogais da comissão executiva.

"Escassa paciência para divisões"

"Aqui chegados, devemos discutir o papel de um CDS renovado no futuro de Portugal. Não percam tempo a discutir qual o lugar de cada um no CDS renovado. É importante mas não é o mais importante", frisou Portas, que ao fim de oito congressos, sabe bem da dificuldade de contentar todas as expetativas de quem quer um cargo na hierarquia partidária.

"Os portugueses têm escassa paciência para divisões sem sentido e não têm mesmo vagar para disputas entre aparelhos partidários que nem chegam a interessá-los", avisou o líder cessante.

Teve a aplaudi-lo toda a direção do CDS - até os que já sabem que não ficarão em cargos de topo, como o ainda porta-voz Filipe Lobo d'Ávila, primeiro subscritor de uma moção das estruturas do partido que esta semana agitou as conversas de bastidores com uma entrevista ao DN em que se demarcava de "maiorias norte-coreanas" - um sintoma de mal-estar com a unanimidade que tem rodeado a subida de Cristas.

Sem entrar nestes pormenores, Portas elogiou a forma como tem decorrido a sucessão. Em vez de "disputas entre aparelhos", frisou Portas, "o que os portugueses viram foi exatamente o contrário; foi uma agradável surpresa. Transição ordenada mas sem quebra de espontaneidade. Sucessão natural com exemplos magníficos de renúncia em nome do todo e de sentido de equipa pelo bem comum. Unidade sem unicidade, como escreveria Adelino Amaro da Costa".

  • “E pronto. Finito”

    Paulo Portas despediu-se do CDS de lágrimas nos olhos. Deixa o partido, nas palavras que foi buscar a uma expressão inglesa, no “par de mãos seguras” de Assunção Cristas