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Guterres em campanha na posse de Marcelo

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O candidato a secretário-geral da ONU contactou representantes estrangeiros que vieram à tomada de posse

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O rei Filipe de Espanha recebeu António Guterres enquanto esteve em Lisboa para a posse do novo Presidente da República e o mesmo fez o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi. O tema dos encontros foi a apresentação e pedido de apoio à candidatura do ex-primeiro-ministro e ex-alto-comissário para os Refugiados ao supremo cargo das Nações Unidas.

Guterres não tem tempo a perder. Dentro de menos de um mês já estará em Nova Iorque a prestar as primeiras audições públicas na ONU e todas as ocasiões são boas para fazer passar a mensagem de que é candidato a secretário-geral.

A vinda a Portugal de representantes estrangeiros para a posse do novo Presidente da República, bem como a presença de numerosos diplomatas, foi uma oportunidade de ouro para estabelecer contactos. E na quinta-feira, no Palácio de Belém, o elogio público de Marcelo Rebelo de Sousa ao candidato perante mais de uma centena de representantes do corpo diplomático valeu por mil recomendações.

“António Guterres é certamente o vulto mais brilhante da minha geração”, disse Marcelo, em jeito de nota pessoal, depois de valorizar a apresentação ao cargo do ex-primeiro-ministro. “É uma candidatura a favor de todos, congregadora, baseada no extraordinário mérito do candidato e assente na certeza de que, caso seja eleito, António Guterres será um brilhante secretário-geral das Nações Unidas, valorizará a ONU e fará com a inteligência e capacidade que todos lhe reconhecem a ponte entre todas as nações”, afirmou o novo Presidente, depois de reiterar o apego da política externa portuguesa ao multilateralismo.

No site específico da ONU, onde pela primeira vez na história da organização se publicitam as candidaturas, também já consta, desde 29 de fevereiro, o nome de Guterres, que se junta assim a outros seis já conhecidos. Na carta do PM, a sua candidatura é considerada “um imperativo, num tempo em que, mais do que nunca, é urgente mobilizar o mundo em prol da paz e da segurança, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável”.

Os Estados foram convidados a apresentar as suas candidaturas o mais cedo possível, tendo em conta as audições de abril, mas só em junho o Conselho de Segurança (a quem compete a indicação do nome à Assembleia Geral, que o vota depois) começará o processo de votações que conduzirão ao apuramento do(a) candidato(a).

Será talvez o momento mais complexo para a candidatura de Guterres, que já tem contra si o facto de não corresponder aos critérios do género e da localização geográfica. É que pode haver um impasse ou, pior, surgir um nome de tal modo forte que anule por completo todo o processo.