Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Cristas renova direção

  • 333

Alberto Frias

A sucessora de Portas quer equilibrar continuidade e renovação. Nuno Melo e Mesquita Nunes serão vice-presidentes e haverá mais mulheres em lugares de destaque

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Assunção Cristas vai mudar pelo menos um terço da Comissão Executiva e da Comissão Política do CDS no congresso deste fim de semana. O desafio assumido pela nova presidente centrista é conseguir um compromisso entre a continuidade (os dirigentes do portismo, que permanecem em peso) e a renovação com a marca da “Boss AC”, como Cristas já é nomeada nalguns círculos partidários. Ao que o Expresso apurou, uma das maiores preocupações da nova líder centrista é conseguir um melhor “equilíbrio entre géneros”, o que vai significar um maior número de mulheres na cúpula do partido.

O primeiro sintoma de continuidade, que vale também como sinal de unidade, é a permanência do eurodeputado Nuno Melo como vice-presidente e nº 2 na hierarquia centrista. Melo podia ter avançado para a liderança, não o fez, mas mantém o estatuto que conquistou nos últimos anos de liderança de Portas.

Por outro lado, Cristas decidiu reduzir a quantidade de vices, dos atuais oito, para quatro: três por indicação da líder do partido e o quarto por inerência do cargo de presidente do grupo parlamentar (Nuno Magalhães). Além de Melo e Magalhães, Adolfo Mesquita Nunes é dado como certo numa vice-presidência, sendo bastante forte a hipótese de Cecília Meireles chegar também a vice.

A ser assim, cinco dirigentes perdem o estatuto de vice-presidentes, embora possam continuar na direção do partido: Artur Lima, Teresa Caeiro, Diogo Feio, João Almeida e Pedro Mota Soares. Garantida é a substituição do atual secretário-geral, António Carlos Monteiro, por Pedro Morais Soares, que foi o diretor da campanha interna de Cristas. A nova líder deverá recuperar nomes como João Rebelo e Teresa Anjinho e promover à Comissão Política uma dezena de novos militantes de diversas áreas de atividade e origens geográficas.

À espera dos sinais

A “dança das cadeiras” que sempre anima as vésperas de congressos deixou inquietos, nos últimos dias, alguns sectores do partido, expectantes sobre o lugar que a nova presidente lhes reservaria no processo de renovação. Sobretudo os dirigentes que, sem serem oposição declarada à nova presidente — que será eleita sem qualquer adversário —, não se reveem totalmente na nova direção. O destino de alguns nomes que tiveram bastante destaque com Portas mas que agora podem perder algum terreno — casos de Mota Soares, Telmo Correia ou Filipe Lobo d’Ávila — animou muitas conversas na última semana.

São aguardados com expectativa os sinais de unidade e inclusão que poderão ser lidos a partir das listas para os órgãos nacionais, que só hoje deverão ficar fechadas. Dependendo desse desfecho poderão surgir listas alternativas, sobretudo para o Conselho Nacional. São os casos de alguns dirigentes de distritais que teriam apoiado Nuno Melo, se este tivesse avançado com uma candidatura à liderança, e que acabaram por se reunir na moção “Juntos pelo futuro”. Lobo d’Ávila, primeiro subscritor desta moção, dizia ontem em entrevista ao “DN” que discorda de “consensos norte-coreanos”, sublinhando que estes não são “o que o partido precisa” — uma frase que, só por si, é sintomática das tensões destes dias.

Outro caso de esperar para ver é Filipe Anacoreta Correia e o seu Movimento Alternativa e Responsabilidade — a única voz dissonante do portismo, nos últimos congressos, mas que, desta vez, decidiu não se candidatar e dar o seu apoio a Cristas. Depois de saber o que fará Cristas em retorno dessa atitude, o movimento decidirá se apresenta listas a votos.
Assunção Cristas deverá falar pelo menos por três vezes no congresso de Gondomar. As primeiras no âmbito da apresentação e discussão da sua moção de estratégia, não se esperando que fuja ao que tem sido o seu guião: propor um CDS “aberto a todos”, “com ambição”, que “fará o seu caminho, com os seus protagonistas”, de forma a “afirmar uma solução alternativa à maioria de esquerda”.