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Política

Cinco recados para o mandato de Cristas

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Rui Duarte Silva

Não ficar só a olhar para o PSD, focar-se nos valores de sempre do CDS, olhar menos para os valores de sempre do CDS, pensar numa candidatura à câmara de Lisboa: outras ideias das moções que vão a votos neste congresso

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Nem só de Paulo Portas e Assunção Cristas se faz o congresso do CDS. Na apresentação das dez moções de estratégia globais, ficaram recados, ideias e desafios para a futura líder. Aqui ficam algumas dessas intervenções com que arrancou o debate estratégico para o futuro do CDS.

Filipe Lobo d'Ávila: em defesa da diferença

O deputado e até agora porta-voz do CDS deu voz à moção “Juntos pelo Futuro”, que tem sido apresentada como a moção das bases (por ter entre a sua dezena e meia de subscritores diversos dirigentes distritais e concelhios), mas também como a moção dos que queriam Nuno Melo como líder do partido. Depois de uma entrevista em que se insurgiu contra a “unanimidade norte-coreana” que tem rodeado a consagração de Cristas, Lobo d'Ávila apresentou-se ao congresso com uma acérrima defesa da “diferença”, contra os unanimismos.

“Não queremos provocar ninguém em especial, queremos provocar o partido com ideias”, afirmou, pedindo ao partido “que não se incomode com a diferença”. Rotulado como o rosto da nova posição interna, Lobo d'Ávila contestou essa ideia: “Os nossos adversários não estão aqui dentro, não há os alinhados e os desalinhados, os nossos e os outros. Aqui dentro só vejo os nossos”. E, contra a ideia de um partido sobretudo pragmático, defendeu um CDS “politicamente definido”, “comprometido com os valores de sempre”.

Diogo Feio: não olhar só para o PSD

O futuro coordenador do gabinete de estudos do CDS veio ao congresso defender que o partido deve ser o promotor dos grandes debates sobre as reformas que estão por fazer no país, começando por apontar uma primeira prioridade na Educação. Na apresentação da moção que escreveu com Paulo Nuncio e Francisco Mendes da Silva, Feio defendeu que o CDS devia ter feito “maior concertação estratégica com outros partidos durante o momento muito difícil de cumprimento do programa da troika. Não devíamos ter ficado sozinhos, mas temos de aprender essa lição”.

Ou, dito de outra forma: no futuro o CDS deve fazer o seu caminho e, como parceiros, não deve olhar apenas para o PSD. “Devemos estar abertos a entendimentos com os partidos que fazem o bloco europeísta e moderado”, afirmou. E concluiu com um desafio à futura líder: “Portugal nunca teve na sequência de eleições uma primeira-ministra. Quem sabe se essa primeira-ministra não será a Assunção Cristas.”

João Almeida: pragmatismo e respostas concretas

“Precisamos de ser pragmáticos. Não precisamos de prescindir de nada do nosso património ideológico para dizermos que somos pragmáticos”, desafiou João Almeida, num congresso em que a componente ideológica do CDS tem sido uma das questões em pano de fundo. Mais liberal, mais conservador ou mais democrata-cristão? Isso tudo, respondeu Almeida, mas sobretudo pragmático.

“As pessoas não votam em proclamações ideológicas, votam em questões concretas, não votam em afirmações de princípios, mas em soluções para a sua realidade do seu dia a dia. As pessoas não votam nos políticos que dizem a mesma coisa que outros já disseram. Não votam nos políticos de sempre porque sentem que é a mesma coisa.” Almeida, que assina uma moção com outros jovens dirigentes do CDS, como Mesquita Nunes, Cecilia Meireles e Ana Rita Bessa, defendeu ainda um partido mais atento ao sentir das bases, e mais aberto a quem não milita nas suas estruturas. “Precisamos que venham mais ideias, precisamos de mais debates, precisamos de gente que nos diga que não”, desafiou.

Anacoreta Correia: disponibilidade para grandes compromissos

O líder do movimento Alternativa e Responsabilidade desta vez não se candidata à liderança do CDS. Foi a única voz dissonante nos últimos anos mas, na hora da despedida de Paulo Portas, reconheceu -o como “um líder com uma dimensão histórica” e que deixou “uma marca indelével”. Apoiando a candidatura de Assunção Cristas, apresenta, no entanto uma moção (“3 M's” - Memória, Mudança, Maioria). Quer um CDS que cresça “sem excluir”, e “disponivel para grandes compromissos em áreas estratégicas”, “à altura dos portugueses”.

João Gonçalves Pereira: candidatura a Lisboa?

O presidente da concelhia de Lisboa trouxe a Gondomar a moção de estratégia apresentada pelos militantes da capital. Não falou só de Lisboa, mas esse foi o ponto mais importante da sua intervenção. Para dizer que o partido deve estar aberto a negociar uma coligação com o PSD, como nas últimas autárquicas, e só no caso desta falhar, ponderar uma candidatura autónoma. E, nesse caso, “o CDS terá, porventura, uma grande candidata”, disse, pondo os olhos em Assunção Cristas. Recorde-se que, conforme o Expresso noticiou, a nova presidente do CDS está a ponderar candidatar-se à câmara da capital, independentemente de qualquer acordo com o PSD.