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Assunção Cristas: “Quero ir longe. Muito longe”

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Rui Duarte Silva

À americana, a próxima presidente do CDS “apresentou-se” aos congressistas (e aos portugueses que a ouviam através das televisões, já que começou oportunamente à hora dos jornais da noite)

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O discurso foi assumidamente sobre ela própria. Uma sinopse biográfica em dez minutos, à americana, em registo franco, em jeito de explicação das razões que a levam a querer liderar o CDS neste momento. O que tinha ficado por dizer na sua primeira intervenção, a meio da tarde.

Nasceu em Luanda, em 1974. À pergunta “onde estava no 25 de abril” responde, pois, sem falso embaraço: “Na barriga da minha mãe, porque nasci em setembro”. Já nasceu em democracia, mas reconhece que “numa democracia que no início foi particularmente dolorosa”mpara a sua família. As dificuldades experimentadas pelos pais, que enfrentaram o retorno com “vontade de reconstruir, sempre com otimismo”, tornaram-na estruturalmente otimista: “Ser positivo é meio caminho andado para as coisas correrem bem”. E a este país, constata, “falta sonho largo como a terra onde nasci”.

É a filha do meio de cinco irmãos e essa circunstância, admite, deu-lhe “muito trabalho”. “É preciso muita ponte, muito diálogo, muito consenso”. Ferramentas que lhe vão ser úteis, deixa subentendido, nas funções que se prepara para assumir. A quem observa que o Congresso decorre “sem sangue”, responde que talvez isso já reflita a liderança no feminino, “uma outra forma de estar, menos bélica, com mais espírito de diálogo”.

É mãe de quatro filhos. “Projeto de vida” que não a impede de “achar que há outros caminhos de felicidade e que uma sociedade deve ter toda a tolerância e respeito para com todos os caminhos de felicidade que as pessoas queiram ter”.

E, por fim, a característica que definiu como “a mais estrutural” da sua vida: “Sou católica”. O que significa “uma desacomodação permanente, um desassossego constante, uma vontade de fazer mais e melhor”.

Resumiu o seu projeto: “Inconformismo como estratégia, ambição como meta”. E se é ambiciosa: lembrando um provérbio angolano - “quem quer ir depressa vai sozinho, quem quer ir longe vai acompanhado” - solicitou a companhia do CDS para “ir longe, muito longe.