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Seguro promove “reencontro de amigos”

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MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

A apresentação do livro “A reforma do Parlamento português”, de António José Seguro, deu o pretexto para muitos dos amigos, colaboradores e apoiantes do antigo líder socialista se reencontrarem. Ele garante que não foi mais do que isso

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Foi a primeira vez que António José Seguro protagonizou um evento público, quase um ano e meio decorrido sobre a sua derrota nas primárias socialistas e a sua decisão de abandonar todos os cargos políticos que ocupava. Em declarações, parcas, aos jornalistas, António José Seguro garantiu que a apresentação do seu livro sobre "a reforma do Parlamento português - o controlo político do Governo", esta tarde, em Lisboa, foi apenas e só isso mesmo: "Um reencontro de amigos (...). Não é nenhum regresso à vida partidária", assegurou.

Ninguém diria, a avaliar pela quantidade (e a responsabilidade) dos políticos e outras figuras públicas presentes no auditório da Universidade Autónoma de Lisboa - onde Seguro se licenciou e hoje é professor. Desde membros do núcleo duro "segurista" (Alberto Martins, Álvaro Beleza, António Galamba, Eurico Brilhante Dias, João Serrano, João Proença) a outros apoiantes do antigo secretário-geral como Francisco Assis, Carlos Zorrinho, Ana Gomes, Carlos Silva, João Soares, José Luís Carneiro ou Jorge Seguro Sanches (os três últimos membros do atual Governo), mas também Jorge Coelho ou Ferro Rodrigues. Sendo certo que este estava lá na qualidade de presidente da Assembleia da República (afinal, a instituição visada na obra). Mas o leque não se esgotava no PS: Ramalho Eanes, Pedro Santana Lopes, Bagão Félix, Nuno Severiano Teixeira, António Costa Pinto, Nuno Amado, António Saraiva também por lá passaram. Assim como os sociais-democratas José Pedro Aguiar Branco, Luís Marques Guedes, José Matos Correia e Duarte Pacheco, os centristas Nuno Magalhães, Pedro Mota Soares e Diogo Feio, Luís Fazenda (BE) e António Filipe (PCP).

A sala foi pequena para todos os que quiseram ver (e ser vistos) no evento e a Quetzal teve de ir buscar mais livros para satisfazer a procura. Viriato Soromenho Marques, a quem coube a apresentação da obra, teve a presença de espírito para reparar nisso: "Não sei se há alguma intenção de marcar com isto o regresso a uma vida política ativa, mas o interesse que o livro já suscitou vai assegurar pelo menos uma segunda e uma terceira edições". Ainda no embalo da provocação ao autor deixou-lhe uma pergunta (que ficaria sem resposta): "Vivemos um tempo em que nos podemos dar ao luxo de dizer que nos dispensamos de uma participação na vida política ativa?" Antes, Francisco José Viegas (o editor) também não resistira a brincar com o "regresso" de Seguro: "Se ele quiser, terá sempre uma geringonça à sua espera".

O antigo líder socialista assumiu o "regresso". Quando se dirigiu a Ferro Rodrigues: "Senhor Presidente da Assembleia da República... já há muito tempo que não usava esta designação". Quando deixou de ler a cábula e começou a improvisar: "Corro o risco de ser traído por falta de treino". Mas ficou por aí. Mais à frente confessou "estar feliz por o livro ter possibilitado um reencontro de amigos". E confessou desejar que o livro tivesse "mais consequências"... não exatamente aquelas que muitos dos presentes gostariam: "Que inspire novos trabalhos científicos sobre o Parlamento; [que ajude a] que não haja retrocessos face a eventuais maiorias conjunturais".

A obra agora apresentada é uma adaptação da dissertação com que António José Seguro se tornou mestre, em novembro, com 18 valores. Regista a evolução da função de controle democrático da Assembleia da República desde a aprovação do primeiro Regimento, em 76, à reforma de 2007 - que ele próprio, na altura deputado pelo PS, encabeçou. A principal conclusão a que chega é que esta reforma "reforçou os direitos da oposição (como agente natural do exercício da função de controlo político) e aumentou os instrumentos de vigilância parlamentar da atividade do Governo". Para Viriato Soromenho Marques, o trabalho de Seguro mostra por que é que "o Parlamento tem estado na centralidade da vida política portuguesa".

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