Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Recuperação de sede do PCP junta João Soares e Jerónimo de Sousa

  • 333

Teto da Casa das Morgadas, na Covilhã. Este edifício é a sede do PCP no distrito desde 1975

DR.

Secretário-geral comunista e ministro da Cultura vão estar juntos na apresentação da obra de recuperação das pinturas da Casa das Morgadas, sede do PCP na Covilhã desde 1975

Parece que a convergência das esquerdas não se limita ao Parlamento. O secretário-geral do Partido Comunista Jerónimo de Sousa e o ministro da Cultura João Soares vão estar juntos, esta sexta-feira, na Covilhã, para a apresentação da obra “As Pinturas do Salão dos Continentes na Casa das Morgadas e a Arte da Covilhã no início do século XVIII”.

O livro da autoria de Vítor Serrão, Maria do Carmo Mendes e Ricardo Silva documenta o processo de reabilitação das pinturas do salão dos continentes, no edifício da Casa das Morgadas, sede do Partido Comunista no distrito desde 1975.

Questões de cultura “não têm fronteiras partidárias”, diz Vítor Pereira, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, ao Expresso. Mas poderia isto acontecer com o anterior Governo? “Formulava na mesma o convite ao responsável da Cultura”, garante, dado que a presença de Jerónimo de Sousa era “óbvia”.

O autarca da Covilhã, que descreve João Soares como “um entusiasta da recuperação dos centros históricos”, aproveitou as comemorações dos 100 dias de Governo de António Costa, em Idanha-a-Nova, para endereçar o convite ao ministro da Cultura. Este “aceitou prontamente”.

Tanto o PS, como PCP, confirmaram a presença dos responsáveis políticos, garantindo que os convites foram centralizados pela Câmara, não se tratando de uma iniciativa conjunta.

A sinergia de dois continentes políticos

As pinturas proto-barrocas da Casa da Morgadas – cuja recuperação teve início em 2001 – revelam imagens dos quatro continentes desbravados pelos portugueses, durante o período das descobertas marítimas, simbolizando a visão do mundo conhecido até ao final do século XVII. É um edifício “histórico e importante” para a cidade, diz Vítor Pereira. “Muitos covilhanenses fizeram parte da primeira globalização, dos descobrimentos”, justifica.

A obra coordenada pelo historiador Vitor Serrão será apresentada no edifício da Câmara Municipal, pelas 18h. A partir daí, como dizem os autores do livro, todos poderão ver os painéis do salão dos Continentes “como uma janela para o mundo de então”. Certo é que, com a presença de Jerónimo de Sousa e João Soares, também estarão a assistir a uma nova janela da política portuguesa.