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O primeiro Presidente a não esquecer Vasco da Gama na ida aos Jerónimos

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Tiago Miranda

Além da habitual coroa de flores depositada pelos Presidentes anteriores junto do túmulo de Camões, Marcelo Rebelo de Sousa inovou e repetiu o gesto no mausoléu vizinho do navegador que descobriu o caminho marítimo para a Índia

Depois de tomar posse como novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu a tradicional deposição de flores no túmulo de Luís de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos, e juntou pela primeira vez à tradição idêntica homenagem a Vasco da Gama.

Aguardado por centenas de portugueses e turistas estrangeiros, entre eles brasileiros, austríacos, alemães, franceses e sul-coreanos, Marcelo foi recebido pelo ministro da Cultura João Soares, pela diretora do Mosteiro dos Jerónimos Isabel Cruz Almeida, e pelo prior de Santa Maria de Belém José Manuel dos Santos Ferreira.

Marcelo Rebelo de Sousa caminhou entre alas da Polícia do Exército e deteve-se por breves instantes à entrada no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. No interior, sentinelas transportaram as coroas de flores para a base de cada uma das urnas de pedra, junto às quais Marcelo celebrou a cerimónia de deposição de coroas nos túmulos do poeta nacional, e uma das maiores figuras da literatura lusófona Luís Vaz de Camões, e do navegador e explorador português que descobriu o caminho marítimo para a Índia, abrindo a Rota do Cabo, Vasco da Gama.

A fanfarra tocou sucessivamente os toques de silêncio, em homenagem aos mortos, seguindo-se o toque de alvorada.

Antes de sair, o antigo líder do PSD e comentador televisivo efetuou uma breve visita à igreja e aos claustros e assinou demoradamente o livro de honra do Mosteiro dos Jerónimos.

Tiago Miranda

Depois, o sucessor de Cavaco Silva na presidência do país saiu entre alas da Polícia do Exército pela porta sul da igreja, junto à qual e em estrado diante do comandante da Guarda Nacional Republicana, recebeu continência da escolta de honra a cavalo da GNR.

Tiago Miranda

Junto ao emblemático monumento português, centenas de pessoas aguardavam o novo Presidente da República, muitas para prestar homenagem, outras por curiosidade.

Uma delas era o brasileiro Zeno Veloso, professor da Universidade do Pará, que aproveitando um colóquio que vai decorrer esta semana na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa não podia deixar de estar presente nesta ocasião. "Sou admirador do professor Marcelo, conheço um pouco da sua vida. Não é um professor de Direito que chega à presidência, é um Presidente que vai com certeza agir como professor de Direito", disse Zeno Veloso à agência Lusa.

O professor brasileiro destacou ainda que num sistema semipresidencialista como o português, a autoridade de um Presidente da República depende da figura em si e do seu espírito: "No bom sentido da expressão, o professor não é um Marcelo, são muitos Marcelos. Vai ser uma grande figura, vai ter mandato lúcido, democrático, de pacificação e de grande integração com o Brasil, onde teve o pai e tem o filho".

A Lusa entrevistou austríacos, franceses, alemães e sul-coreanos. Alguns apenas conheciam o nome de Rebelo de Sousa e consideraram-se "sortudos" por poder assistir à chegada do novo Presidente, outros nem o nome conheciam mas ainda assim a curiosidade fê-los aguardar junto aos Jerónimos pela chegada do 19.º Presidente de Portugal.

Já Maria Roberto, portuguesa, de 65 anos, veio "prestar homenagem" àquele que considera que vai ser "um Presidente exemplar como tem sido um pai, um professor e um cidadão exemplar", e aproveitou para mostrar pela primeira vez à sua neta, de nove anos, uma cerimónia como esta.