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Novidades no caso Maria Luís: PS e PSD cautelosos, PCP e BE acham que se “adensam dúvidas”

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Luis Barra

Em reacção à notícia do Expresso sobre os benefícios fiscais de que beneficiaram a Whitestar e a Gesphone, empresas que pertencem ao grupo que é o novo empregador da ex-ministra, os partidos começaram a pronunciar-se. E todos aguardam por mais informações oficiais

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O porta-vos do PS, João Galambra, não quis comentar até "esclarecimento cabal da situação", em alusão à notícia do Expresso que dá conta dos 381,7 mil euros recebidos pelas empresas Gesphone e Whitestar a título de benefícios fiscais entre 2012 e 2014, altura em que Maria Luís Albuquerque era responsável pela pasta das Finanças. Ambas as empresas foram adquiridas pela gestora de ativos Arrow Global, que contratou recentemente a ex-ministra para os seus quadros de administração.

A reacção do PSD é igualmente cautelosa e surgiu pela voz do porta-voz do partido, Marco António Costa. "Vamos aguardar pelo fim dos trabalhos e ver se subsistem dúvidas”, disse, em declarações ao Observador.

Já o PCP, que terça-feira requereu na subcomissão de Ética um conjunto de informações sobre o caso, considera que "as notícias avançadas reiteram a justeza da nossa iniciativa". Jorge Machado diz ao Expresso que estes novos dados "reforçam a expectativa e a necessidade de recolher toda a informação sobre esta matéria", esperando os comunistas que o Governo faculte os elementos requeridos "o mais urgentemente possível, tal como foi pedido".

Para Jorge Machado, há razões que justicam que "as nossas dúvidas se adensem". Mas o PCP continua a considerar que "há uma questão de fundo, que tem que ver com a promiscuidade entre poder político e poder económico" e que importa resolver.

Já Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, sublinha que é necessário "saber qual a natureza dos benefícios fiscais concedidos e de que modo se enquadram na lei". No entanto, fica claro para a bancada bloquista que "ainda bem que decidimos aprofundar este assunto, uma vez que as informações agora divulgadas comprovam que se trata de uma empresa consolidada no mercado português e que lucrou, e muito, com o nosso sistema fiscal". Para Mariana Mortágua, "adensa-se a dúvida sobre a legalidade e a compatibilidade" do comportamento de Maria Luis Albuquerque.

Além da investigação em curso sobre a contratação da ex-ministra das Finanças pela Arrow, o Bloco de Esquerda insiste na alteração da lei. Tal como anunciou na semana passada, o BE vai voltar a apresentar uma proposta de alteração do regime de incompatibilidades dos políticos para tornar "a lei mais clara e mais abrangente, evitando a repetição de casos como estes", conclui Mariana Mortágua.

O Bloco de Esquerda e o PCP requereram terça-feira "com carácter de urgência" um conjunto de informações oficiais sobre os apoios concedidos à empresa que contratou a ex-ministra das Finanças. Entretanto, a subcomissão de Ética do Parlamento deverá elaborar um parecer sobre a existência de incompatibilidade entre o exercício do cargo de deputada e o trabalho de Maria Luís Albuquerque junto da Arrow. O parecer deverá estar pronto dentro de duas semanas, altura em que o PCP "espera ter já recolhido toda a informação solicitada".