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Jerónimo e o discurso de Marcelo: “A prática é a mãe de todas as coisas”

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Líder comunista nota que o discurso da tomada de posse do novo Presidente assentou sobre a necessidade de respeitar a Constituição. Mas diz que é preciso passar das palavras aos atos

JOSÉ OLIVEIRA

O secretário-geral do PCP mostrou-se satisfeito com o facto de o Presidente da República ter colocado no seu discurso as preocupações dos portugueses como enfoque, mas questiona se Marcelo Rebelo de Sousa será capaz de cumprir o prometido.

“Eu creio que foi um discurso que faz esforço para ir ao encontro das preocupações da maioria dos portugueses, sobre os seus direitos e sobre as suas vidas, mas sobra sempre uma questão central: como se efetiva isso, como se concretizam as aspirações que o povo tem?” “A prática é a mãe de todas as coisas”, reforçou Jerónimo de Sousa.

Falando à saída do hemiciclo depois de Marcelo ter tomado posse, Jerónimo sublinhou que é fundamental que o novo Chefe de Estado não se esqueça de que fez um juramento sobre a Constituição perante milhões de portugueses, dirigindo ainda críticas a Cavaco Silva, “quanto à referência da anterior Presidência da República sobre a valorização e a defesa do mar, o mesmo PR que noutro tempo privatizou e destruiu a nossa marinha mercante e naval”.

Confrontado sobre os apelos de Marcelo a consensos, o líder comunista foi taxativo: “Da nossa parte há sempre consensos e convergêncais naquilo em que é possível convergir e consensualizar. Só se for para sarar as feridas ao encetar uma nova política diferente da dos últimos anos. Para nós, é importante sarar as feridas daqueles que viram as suas vidas destruídas, que perderam emprego ou que tiveram que emigrar”.

Afirmando que as relações do PCP com o novo Presidente se inserem no plano institucional, Jerónimo de Sousa lamentou ainda “não ser expectável” que Marcelo exerça qualquer pressão no sentido da rutura das condições impostas em termos da política externa, nomedamente no plano europeu.