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Cristas recusa comentar contratação de Maria Luís Albuquerque

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JOÃO RELVAS / LUSA

A candidata à liderança do CDS diz que os portugueses têm de decidir entre “políticos profissionais” ou um modelo que atraia “pessoas boas nas suas áreas”. Em entrevista à agência Lusa, Cristas lamenta ainda algumas falhas de comunicação do anterior Governo

Nova líder do CDS a partir do próximo fim de semana – quando decorre o Congresso do partido, onde é a única candidata à liderança centrista –, Assunção Cristas recusa tecer quaisquer comentários sobre o caso da contratação de Maria Luís Albuquerque como administradora não-executiva do grupo de gestão de crédito Arrow Global.

"Não comentarei casos particulares, não o farei, ainda para mais com a Maria Luís Albuquerque. Fomos colegas de Governo e creio que fez um trabalho que o país deve agradecer. Esse debate sobre incompatibilidades não deve ser feito por políticos. Os políticos são parte interessada", afirma Cristas, em entrevista dada à agência Lusa.

A centrista avança, contudo, que "os portugueses têm de decidir se querem ter políticos profissionais, o funcionalismo da política" ou "ter um modelo que possa atrair pessoas boas nas suas áreas profissionais". "Mas se são boas nas suas áreas profissionais, se são competentes, se são os melhores, também têm de poder voltar à sua área profissional", defende.

"Se nós não encontrarmos um equilíbrio nestas matérias, só teremos professores no parlamento. Se calhar não teremos gente das empresas, de outras áreas da nossa sociedade, o que pode não ser o melhor para a nossa política", argumenta.

Questionada se o futuro de Paulo Portas, nomeadamente se for no universo empresarial, poderá vir a suscitar algum embaraço, Assunção Cristas diz não temer quaisquer questões e afirma poder vir a contar com a sua "argúcia e a inteligência". "Espero que ele não desapareça do mapa, acho que não vai desaparecer", afirma.

“Talvez a maior falha do Governo anterior tenha sido na comunicação”

Convidada a fazer um exercício de autocrítica do Governo PSD/CDS que integrou enquanto ministra da Agricultura, Cristas lamenta a falta de capacidade de apresentar aos portugueses "de maneira frontal e clara" que os dois partidos que integravam o Executivo tinham divergências mas eram solidários.

Perante a insistência da Lusa para que a autocrítica fosse sobre medidas do Governo, Assunção Cristas afirma: "Talvez a maior falha do anterior Governo tenha sido na comunicação, em não ter assumido que o memorando era mau, mas na altura eu também compreendo que não se tenha ido por aí. Quatro anos depois também é mais fácil falar, por isso é que na minha perspetiva é mais interessante pensar daqui para a frente".

Sobre a vida interna do CDS, a candidata à liderança não exclui a realização de primárias abertas para a escolha dos candidatos a deputados, como consta da moção de João Almeida e Adolfo Mesquita Nunes, mas lembra que o próprio líder deixou de ser escolhido em diretas para passar a ser eleito em Congresso (alteração contra a qual votou, no Congresso de Viseu, há quatro anos).

"Acho que é certamente um tema para se explorar. O que eu procurarei fazer é ter uma abertura grande do CDS para que possamos ouvir a opinião e para que possamos contar com gente que colabore connosco, nomeadamente, através do gabinete de estudos", refera.

Assunção Cristas promete que, consigo na liderança, sucedendo a um mais centralizador Paulo Portas, "os órgãos do partido terão mais relevância, reunirão mais vezes e haverá mais decisão coletiva, colegial, e depois haverá mais autonomia em tarefas individuais" de responsáveis.

Cristas diz ainda querer contar com Nuno Melo, que será seu vice-presidente, "não só em Bruxelas, onde desempenha com brilhantismo o seu papel mas também no palco nacional, no momento em que ele queria porventura voltar e, certamente, no espaço mediático, em que tem sido sempre muito mediático e combativo".

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