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Cristas: “Temos de estar gratos” a Cavaco

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Nuno Botelho

A única candidata à liderança do CDS defende o Presidente da República cessante, dizendo que os portugueses só lhe farão justiça “daqui a uns anos”. Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, Assunção Cristas espera que procure consensos e estabeleça diálogos

A candidata à liderança do CDS espera do Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, a procura de consensos mas também um papel interventivo. Assunção Cristas defende ainda que o país deve gratidão a Cavaco Silva.

A única candidata à liderança dos centristas – que escolherão novo líder no congresso do próximo sábado e domingo –aguarda que Marcelo Rebelo de Sousa "seja igual a ele mesmo e que diga um pouco aquilo que disse durante o tempo de campanha eleitoral", onde o tom conciliador dominou o discurso do candidato presidencial.

"Será certamente um Presidente que procurará os consensos, estabelecer diálogos, que será interventivo e tomará a iniciativa em muitos aspetos, dentro da lógica de compreensão dos poderes do Presidente, que são poderes de arbitragem, poderes de influência e de desbloqueio para pontes de diálogo", afirma em entrevista à agência Lusa.

Ainda sobre Marcelo Rebelo de Sousa, Assunção Cristas diz ter entendido "muito bem" a campanha eleitoral que fez e a postura de conciliação e pacificação relativamente ao Governo do PS, liderado por António Costa. "Entendi-o muito bem. Penso que era isso que se esperava de um Presidente da República. Bem ou mal, concordando-se ou discordando-se da solução governativa neste momento em Portugal, a verdade é que ela existe e aqui também temos de virar uma página", declarou.

“[Cavaco] passou tempos muito difíceis”

Sobre o Presidente cessante, a ex-ministra da Agricultura reage aos baixos índices de popularidade de Cavaco Silva, afirmando que "a justiça só será feita daqui a uns anos". Cristas considera ainda que "haverá, porventura, muitas incompreensões de determinadas posições do Presidente cessante" que só o "distanciamento e a História" poderão resolver.

"Temos todos de aguardar e temos de estar gratos, porque passou tempos muito difíceis durante os seus dez anos de Presidente, em particular no segundo mandato, numa situação em que o país se colocou, que não dependeu dele, mas que também acabou por afetá-lo muito", defende.

Sobre a atual conjuntura governativa - “um contexto de profunda discordância de políticas” - Assunção Cristas reitera que “o papel do Presidente é um papel de árbitro e de moderação”

Sobre a atual conjuntura governativa - “um contexto de profunda discordância de políticas” - Assunção Cristas reitera que “o papel do Presidente é um papel de árbitro e de moderação”

JOÃO RELVAS / LUSA

Tendo em conta a atual situação governativa, em que o CDS fica fora do Governo, e questionada sobre o papel que Marcelo Rebelo de Sousa pode vir a ter caso o Governo de António Costa falhe, a centrista reitera que cabe ao chefe de Estado eleito decidir.

"Não estou a pensar em nada em concreto, mas acredito que Marcelo Rebelo de Sousa, sendo constitucionalista, sendo uma pessoa com grande facilidade de perceção das realidades e de comunicação e tendo uma reconhecida criatividade, poderá ter um papel relevante", sustenta.

Ainda sobre um regresso do CDS ao Governo, Assunção Cristas não exclui a hipótese dentro do atual quadro parlamentar, embora considere que tal hipótese é "altamente improvável" e sempre sem António Costa. "Talvez se este apoio à esquerda falhasse, e se António Costa, vendo que tinha falhado, abandonasse a sua posição como secretário-geral do PS e outro viesse que fizesse aquilo que António Costa teve oportunidade para fazer a seguir às eleições e não quis fazer: apoiar um Governo que tinha saído vencedor."