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BE: Moscovici devia ter-se abstido de comentários. “Não é o papel dele”

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NUNO ANDRÉ FERREIRA / LUSA

Catarina Martins critica o comissário europeu, defendendo que tecer comentários “não é o papel nem o poder” de Pierre Moscovici. Segundo a dirigente bloquista, “há frases que a melhor maneira de não serem mal interpretadas é não serem ditas”

À margem de uma visita à escola Secundária de Casquilhos, no Barreiro, a porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considerou esta terça-feira que o comissário europeu dos Assuntos Económicos Pierre Moscovici devia ter-se abstido de fazer comentários de forma a não criar "instabilidade política em Portugal".

"Ainda não ouvi as declarações, mas há frases que a melhor maneira de não serem mal interpretadas é não serem ditas. Abstinha-se de comentários para criar instabilidade política em Portugal. Primeiro não é o seu papel, depois não é o seu poder", disse Catarina Martins aos jornalistas.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos Pierre Moscovici "clarificou" esta terça as suas declarações da véspera relativamente a Portugal, apontando que nada mudou e há confiança na capacidade do Governo português em executar o orçamento de 2016 com respeito pelas metas.

"Acho sinceramente que não se deve criar um incidente em torno desta matéria. Se as minhas palavras foram interpretadas de forma ambígua, queria clarificar esta manhã: não, não há nenhuma mudança na nossa posição, [há] confiança na capacidade do Governo em integrar as opiniões da Comissão e as recomendações do Eurogrupo", declarou Pierre Moscovici, na conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin).

Um acordo divergente por um Orçamento comum

Catarina Martins disse que o Bloco de Esquerda tem estado envolvido nas negociações do Orçamento do Estado dos socialistas, salientando que o seu partido já reconheceu "divergências" mas, apesar disso, o orçamento espelha o acordo que o Bloco fez. Chegado à especialidade, vai lutar para o melhorar.

"É bom não misturar o que não deve ser misturado. Este orçamento do Estado está na sua reta final, com a especialidade julgo que conseguimos a recuperação de rendimentos que está acordada, não há aqui nenhum plano b ou plano c, é sempre a recuperação de rendimentos", frisou Catarina Martins.

Para Catarina Martins, existe uma "maioria parlamentar que assenta num princípio de reposição de rendimentos do trabalho, salários e pensões e proteção do estado social", acreditando que "quem vive do seu salário, da sua pensão, não vai pôr o dinheiro que vai recuperar numa off shore. Pelo contrário, vai usá-lo aqui no país e com isso acabar com o ciclo infernal de insolvências e destruição de postos de trabalho", acrescentou.

Sobre temas como o futuro do Novo Banco ou a restruturação da dívida pública, a dirigente bloquista lembrou que o seu partido não desistirá destes temas e não coloca de parte discussões com as entidades europeias sobre estes assuntos.

"Aí, talvez a Comissão Europeia tenha mais dificuldades com as nossas opiniões, mas não desistiremos desse percurso porque julgamos essencial para defender a economia portuguesa ", afirmou.

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