Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Cristas cativa militantes para o CDS/PP

  • 333

António Cotrim / Lusa

Desde janeiro, quando Assunção Cristas começou a campanha interna, já se inscreveram no CDS cerca de 950 novos militantes

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Desde o início do ano, o CDS conta com mais 950 novos militantes. O número é revelado ao Expresso pelo secretário-geral do partido, António Carlos Monteiro, que não tem dúvidas em relacioná-lo com o momento vivido internamente: “As pessoas estão a mobilizar-se pela renovação do ciclo. E com esta adesão estão não só a elogiar Paulo Portas [pela sua capacidade de abrir o novo ciclo] como a mostrar entusiasmo com os novos tempos do CDS.”

Num partido com 36 mil militantes ativos, 950 já é um número significativo: afinal, trata-se de novas adesões ao partido em pouco mais de dois meses, um bom incentivo para a previsível sucessora de Paulo Portas (Assunção Cristas será eleita, sem adversários, no congresso marcado para o próximo fim de semana), que tem o objetivo assumido de alargar a base eleitoral de apoio do partido, de o fazer crescer. Nas contas iniciais do seu diretor de campanha, Pedro Morais Soares, o número de novos militantes até seria inferior: desde 14 de janeiro, o dia em que Cristas anunciou a candidatura à presidência do CDS, teriam sido quase seis centenas as fichas de inscrição recolhidas pela candidatura. A candidata não falhou a deslocação a nenhum dos 18 distritos do continente, a que somou a Madeira e três ilhas dos Açores, numa campanha interna de divulgação do seu projeto de candidatura que se traduziu em 22 sessões públicas e no contacto com cerca de 3000 militantes e simpatizantes. Um esforço de aproximação às bases que Morais Soares relaciona diretamente com o número de novos filiados no partido.

Assunção Cristas quis dar-se a conhecer, mas também quis ouvir o que o país tinha para lhe dizer. Só começou a redigir a moção de estratégia depois de regressar dos Açores (sessões na Terceira, em São Miguel e São Jorge), na véspera da última sessão da campanha interna, em Portalegre. Os seus discursos iniciais eram curtos (não mais de 10 minutos), mas as sessões, compreendendo as perguntas, as respostas e os contactos diretos finais, chegavam a durar três horas, descreve o seu diretor de campanha. Ela “foi, pessoalmente, a todo o lado. O que nunca tinha sido feito”, garante. E teve a paga: foi “muito bem recebida”.

Portas militante honorário da Juventude Popular

Na contagem decrescente para passar o testemunho a Assunção Cristas, Paulo Portas ainda dará uma última entrevista como presidente do CDS. E quinta-feira vai receber uma distinção especial: vai ser indicado como “militante honorário” da JP. É uma espécie de “correção da história”, explicam fontes da direção centrista, brincando com o facto de Portas ter começado pela JSD e não pela juventude do partido que viria a liderar durante 18 anos. Foi na “jota pê”, porém, que se gerou o movimento de contestação à liderança de Manuel Monteiro e de apoio à sua primeira candidatura à presidência do partido, em 1998.

Em assumido low profile desde que Cristas anunciou a sua candidatura (em termos partidários limitou-se a inaugurar a sede distrital e concelhia de Évora e a assinalar a fundação dos Autarcas do CDS), Portas ainda não se pronunciou publicamente sobre a sua sucessora ou o facto de o CDS se preparar para uma “transição ordenada” (tal como ele tinha pedido quando anunciou a saída). Aguarda-se o seu último discurso como presidente do CDS, a abrir o Congresso, no próximo sábado, em Gondomar.