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PS puxa patrões de Maria Luís para o inquérito ao Banif

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José Carlos Carvalho

Socialistas apresentaram esta tarde novo requerimento na comissão de inquérito para que sejam ouvidos os gestores da Whitestar Asset Solutions, a empresa que teve negócios com o Banif e foi comprada pela Arrow, o novo empregador da ministra

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O Partido Socialista apresentou esta tarde um requerimento na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso Banif para que sejam chamados à investigação os gestores da sociedade Whitestar Asset Solutions. O pedido é para que sejam convocados para as audições da comissão John Calvão e João Ferreira Marques, os dois responsáveis da sociedade de investimento que, em 24 horas, passou do quase anonimato para o olho do furacão do caso Banif.

Com este pedido, o PS puxa para a investigação parlamentar os novos patrões de Maria Luís Albuquerque. Como? O requerimento do PS, a que o Expresso teve acesso, explica bem explicado. Ponto por ponto:

1. “No ano de 2014 a sociedade Whitestar Asset Solutions comprou ao Banif cerca de 300 milhões de euros de crédito malparado.

2. Por outro lado, e mais recentemente, a Whitestar Asset Solutions foi contratada para avaliar a carteira de crédito em risco e imóveis da Oitante [a sociedade constituída para gerir os ativos tóxicos do Banif].

3. Ora, no ano de 2015 a sociedade Arrow Global Group PLC adquiriu a sociedade portuguesa Whitestar Asset Solutions.

4. No dia 3 de Março de 2016, Maria Luís Albuquerque, antiga ministra das Finanças, confirma publicamente a sua contratação pela sociedade Arrow Global Group PLC para exercer as funções de diretora não executiva.

5. Em comunicado realizado nesse mesmo dia, o próprio CEO da Arrow Global Group PLC salienta a importância do percurso político de Maria Luís Albuquerque para a referida contratação.

6. Face ao exposto, e em bom abono da verdade, o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, pretende aferir qual a influência da sociedade Whitestar Asset Solutions no âmbito do processo Banif e quais os contactos que foram estabelecidos nesse âmbito entre os responsáveis da sociedade e Maria Luís Albuquerque.”

Conclusão do PS: a CIP tem de interrogar os gestores John Calvão e João Ferreira Marques. E com esta iniciativa, fica formalizado aquilo que Catarina Martins anunciou, logo na quinta-feira, mal se soube da contratação de Maria Luís: este passo da ex-ministra das Finanças veio criar um novo foco de atenção da comissão de inquérito.

Socialistas atrasam inquérito ao Banif

Entretanto, o Expresso apurou que os pedidos de documentação para a CPI ao caso Banif só sairam da Assembleia da República na passada segunda-feira, mais de uma semana depois da última reunião da CPI, que serviu precisamente para os partidos afinarem agulhas sobre o documentos a solicitar. O compasso de espera de 11 dias, entre 18 e 29 de fevereiro, deveu-se, ao que o Expresso apurou, ao grupo parlamentar do PS. Os socialistas apresentaram a 18 de fevereiro, tal como os restantes grupos parlamentares, a lista da documentação que consideram necessária para a CPI prosseguir os seus trabalhos - mas não concretizavam a quem deviam ser endereçados os pedidos. Foi a falta dessa informação, e a demora do PS em colmatá-la, que atrasou o envio dos requerimentos.

Desde o momento em que os requerimentos são enviados, as entidades visadas têm 20 dias para remeter ao Parlamento o material solicitado - ou seja, é possível que os documentos de trabalho da CPI só cheguem aos deputados na segunda quinzena de março, momento em que já é suposto estarem a decorrer as inquirições às testemunhas que a CPI entenda chamar. Sendo certo que, entre a chegada dos papeis e as audições, os membros da comissão de inquérito precisam de tempo para consultar essa documentação, que deverá ascender a muitos milhares de folhas.

Foram enviados pedidos de documentação a 19 entidades, entre elas o Ministério das Finanças, o Banco de Portugal, a CMVM, o Banif, o Santander e os concorrentes preteridos na corrida ao Banif. O material solicitado é exaustivo e inclui a exigência de que Carlos Costa envie o relatório da Auditora Boston Consulting Group (BCG) sobre a atuação do Banco de Portugal no caso BES.

António Filipe, presidente da CPI, confirmou ao Expresso que houve este atraso e admitiu que o calendário dos trabalhos “pode ter derrapado alguns dias. Mas espero que possamos compensar isso”, acrescentou.