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Ferreira Leite: “É a ausência total de bom senso” de Maria Luís

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Alberto Frias

A antiga ministra das Finanças criticou ainda a forma como António Lamas foi demitido do CCB. Para Manuela Ferreira Leite, este já é o terceiro caso na legislatura em que o Governo vem “para praça pública aos gritos e berros” com o objetivo de forçar a saída dos dirigentes. “Estão habituados à técnica dos boys”, acusou

Manuela Ferreira Leite considerou que houve “ausência total de bom senso” da parte de Maria Luís Albuquerque ao aceitar o cargo de administradora não executiva de uma empresa britânica de gestão de dívida, que comprou créditos do Banif. No habitual espaço de comentário na TVI 24, na noite desta quinta-feira, a antiga ministra considerou que se trata de um caso “delicado”.

“O que me mete mais impressão não é se o cargo é ou não compatível com o lugar de deputada. O bom senso deveria imperar, uma vez que ela foi ministra das Finanças”, criticou.

À comentadora custa-lhe a crer que Maria Luís não saiba que é necessário um período após a cessação de funções de um cargo público até se juntar a uma nova empresa, principalmente quando existem “ligações diretas”.

“Sabemos que um cargo público tem impedimentos. Não sei ao certo quais as limitações temporais mas não é de certeza três ou quatro meses”, considerou. “Não há muito que as pessoas que saem da tutela das Finanças possam fazer. Só ser for deputado. Neste caso, obviamente que há ligações e ainda por cima teve muitas ligações do ponto de vista negativo para o país”, acrescentou.

Manuela Ferreira Leite disse ainda que duvida que alguma comissão de ética aprove a situação. Questionada sobre se haverá algum aproveitamento político-partidário, respondeu: “Admito que sim. Mas do que a ministra estava à espera? Pôs-se mais do que a jeito”.

O Governo está “habituado à técnica dos boys”

A antiga ministra das Finanças considerou que o Governo de António Costa “convive muito mal” com a lei em vigor relativa à nomeação de gestores públicos, realizada pela Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP).

“Este Governo está habituado à técnica dos boys”, comentou Ferreira Leite. “Não gostam, mudem lei... Pelos vistos não têm coragem para a mudar. Despedem as pessoas aos gritos e aos berros na praça pública para ver se saem pelo próprio pé”, acusou, quando se comentava a demissão de António Lamas do Centro Cultural de Belém.

Para Manuela Ferreira Leite este é um comportamento “antidemocrático” e a “pior solução” que poderia ter sido encontrada, pois “é fazer uma coisa totalmente contra a lei” (“o que está em vigor é que o ministro só pode demitir um dirigente caso este não tenha todas as condições técnicas para exercer a posição”, explicou).

Mas o caso de António Lamas não é único, defendeu a comentadora. Há pelo menos mais dois: o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e o diretor-geral dos estabelecimentos escolares, José Alberto Duarte.

“Já vai pelo menos no terceiro exemplo. É claramente o caso do governador do Banco de Portugal. [O Governo] não olha a meios para atingir os fins”, rematou.

Cavaco “não é um PR bem compreendido”

Já na reta final do espaço de comentário, Manuela Ferreira Leite elogiou a atitude do Governo de António Costa ao convidar Cavaco Silva para presidir o último Conselho de Ministros. “Souberam ultrapassar as divergências e não posso deixar de registar como um ato digno o convite ao Presidente da República”.

Convidada a fazer um balanço sobre os dez anos de mandato do ainda Chefe de Estado, Ferreira Leite defendeu que só daqui a uns tempos se perceberá que Cavaco fez história, pois é “difícil” avaliar “um mandato de dez anos a quente”.

“O professor Cavaco Silva marcará sempre a história deste país. Durante os seus mandatos, o país cresceu e desenvolveu-se muito. Temos de nos lembrar que impediu que Portugal fosse esfrangalhado. Soube sempre qual o interesse do país a longo prazo ”, considerou a antiga ministra. “Não é um Presidente da República bem compreendido pelo portugueses”, concluiu.