Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

António Costa quer concretizar “desígnio” de Cavaco Silva

  • 333

Marcos Borga

Para o Presidente da República, o desígnio do mar foi uma constante do seu mandato. Primeiro-ministro promete que vai levá-lo a cabo e oferece caravela em filigrana a Cavaco Silva

Luísa Meireles

Luísa Meireles

texto

Redatora Principal

Cavaco Silva disse que era o momento de "passar das palavras aos atos", António Costa afirmou que o lema era "fazer acontecer". O Presidente da República, num ato raro na democracia portuguesa, presidiu esta quinta-feira, a convite do primeiro-ministro, a um conselho de ministros extraordinário dedicado ao tema do mar, que decorreu lugar no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras.

O pacote de medidas que foi apresentado e aprovado representou, segundo afirmou o Presidente, um "passo em frente de medidas concretas e necessárias para transformar as potencialidades do mar em oportunidades de negócio, propiciando crescimento económico e criação de emprego, com respeito rigoroso da sustentatibilidade ambiental dos oceanos".

As medidas, entre elas a criação de um Fundo Azul de investimento e simplificação administrativa, foram depois apresentadas em conferência de imprensa pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

O desafio é atrair investimento, afirmou o PR

Marcos Borga

Numa curta declaração aos jornalistas, acompanhado do primeiro-ministro, Cavaco Silva fez questão de sublinhar que o esforço pelo estabelecimento de uma estratégia do mar foi uma constante do seus dois mandatos, destacando mesmo que o "reencontro de Portugal com o mar é um dos grandes desafios do nosso século".

"Portugal tem uma grande ligação ao mar, pela história e a geografia, está no encontro entre o Atlântico Norte e o Sul, é uma porta de entrada para o Mediterrâneo, está no cruzamento entre a Europa, a África e a América, tem uma enorme plataforma continental, enorme riqueza em biodiversidade marinha", foram alguns dos pontos salientados pelo Presidente da República, não sem sublinhar que se trata de uma matéria consensual no espectro político português.

Agora, disse, o maior dos desafios é atrair investimento, "convencer os investidores nacionais e internacionais em investir na economia do mar"

Concretizar um legado, disse Costa

Marcos Borga

António Costa, por sua vez, explicou que o convite ao PR surgiu como sinal de que "as palavras, mensagem e desígnio nacional que o Presidente pretendeu construir ao longo dos seus mandatos encontraram neste Governo uma expressão", na medida em que o mar constitui uma "prioridade política" do seu Governo, desde logo traduzida na criação de um ministério do mar, com competências transversais.

O objetivo é "fazer acontecer", disse Costa, explicando que as ideias principais da política do mar são garantir a soberania, aprofundar o conhecimento e dinamizar a economia do mar. Segundo o primeiro-ministro, trata-se em primeiro lugar de aproveitar a posição geográfica, depois os recursos em diferentes áreas (alimentar, energia).

"É função e objetivo primeiro de qualquer responsabilidade político concretizar e deixar um legado da sua ação além da finitude dos mandatos", afirmou, dirigindo-se expressamente ao Presidente da República.

A reunião marcou o último encontro institucional entre os dois dirigentes. A assinalar o facto, o primeiro-ministro ofereceu uma caravela em filigrana ao Presidente da República, simbolizando precisamente esse "desígnio" tão caro a Cavaco Silva.

  • Luísa Meireles

    Formei-me em Direito, num tempo longínquo, na convicção que dava para tudo - e dá, porque organiza a cabeça. Durante anos dividi-me entre as duas profissões, até mais não poder. Depois, fiquei com o Jornalismo a solo... e com o Expresso. Em boa hora. Jornalismo é vocação? Também. E aprender sempre. Mas é, seguramente, um modo de estar na vida. O que escolhi. Kapuscinski dizia que "os cínicos não servem para este ofício". Eu estou de acordo com ele.