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Passos Coelho: “Estou muitíssimo bem no papel de líder da oposição”

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Luis Barra

Pedro Passos Coelho deu uma entrevista à SIC na qualidade de (re)candidato a presidente do PSD. Disse sentir-se confortável no papel de líder da oposição mas continua sem despir o fato de (ex)primeiro-ministro

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

No dia em que apresentou a moção com que se recandidata (sem enfrentar adversário) à presidência social-democrata, Pedro Passos Coelho garantiu sentir-se "muitíssimo bem" no papel de líder da oposição, ainda que as ideias que propõe para o país sejam exatamente as mesmas que levou para São Bento, há quatro meses, como chefe do XX Governo (de curta duração).

Sem defender nova ida às urnas ("o país não precisa de andar sempre em eleições"), Passos Coelho admitiu que possa haver "alguns focos de tensão" entre os partidos que suportam o atual Executivo, resultantes quer das diferentes perspetivas com que BE e PCP olham para a economia social de mercado quer do enquadramento europeu. Mas endossou a responsabilidade da resolução dessas contradições para António Costa: "Isso é preocupação do novo primeiro-ministro".

Ao longo de quase uma hora de entrevista, o líder social-democrata insistiu nas críticas ao Orçamento do Estado, que considera não conter "uma visão prudente dos objetivos a atingir" . E não hesitou em prever: "Para poder devolver os salários todos num ano só e cumprir as metas ou há um milagre ou há consequências". Sem "fé" em Costa e Centeno, não lhe custou alinhar no desafio proposto pelo jornalista: e se a estratégia do Governo der certo? "Serei o primeiro a defender o voto no PS, no BE e no PCP", ironizou.

Não escondeu o ceticismo: "Quando voltamos aos velhos hábitos é muito possível que os resultados possam não ser bons como não o foram no passado", lembrou. Recordando que, com o seu Governo, "estávamos a recuperar a economia, as pessoas estavam a consumir progressivamente mais e os salários da função pública estavam a ser devolvidos progressivamente", deixou a pergunta: "se o Governo acredita que vai estar quatro insiste em correr tantos riscos?"

Recusando uma vez mais a acusação de que se terá posto ao lado de Bruxelas contra o Governo em relação ao Orçamento - "lamento que se recorra a esse tipo de argumento" -, enfatizou: "Se o OE não for prudente é melhor que seja corrigido. Não precisamos de ir a Bruxelas para saber isso".

“Estou sempre disponível para resolver os problemas do país”

O líder do PSD anunciou que apresentará propostas no sentido de reforçar a sustentabilidade da segurança social. "Estou sempre disponível para resolver os problemas do país", afirmou, chutando a bola para o campo do adversário: "Se o Governo e o PS estarão disponíveis para debater essas propostas, veremos".

Questionado sobre a razão porque deixou cair a revisão constitucional - causa que lhe foi tão cara antes das eleições de 2011 -, lamentou que sempre que abordou o tema ele tenha sido encarado com demagogia por parte dos socialistas: "Quando não há o mínimo de seriedade na discussão destes problemas não vale a pena estar a investir tempo na matéria".

Já sobre a reestruturação da dívida voltou a manifestar a sua clara oposição a essa solução, que considera tornar "muito difícil" a vida de um país inserido na zona euro. E desafiou os que a defendem a assumirem "com clareza qual é a alternativa que propõem".

Na entrevista teve ainda tempo para tecer elogios ao governador do Banco de Portugal ("foi muito corajoso e eu gosto de gente corajosa") e exortar o Governo a deixar que se faça uma auditoria externa independente ao comportamento dos Governos (a começar no seu) relativamente ao BANIF: "Parece-me grave e preocupante que estando nós a propor uma auditoria externa e independente ninguém a queira fazer (...) Causa-me estranheza (...) Se o Governo não tem nada a esconder que deixe fazer a auditoria ". Sobre o Novo Banco afirmou acreditar que ele seja "vendável", deixando a pergunta aos que admitem a sua nacionalização: "O Estado (que já tem a CGD) precisa de mais um banco?"

Por fim, sobre o CDS (com quem admitiu que o PSD tem uma "relação preferencial"), reconheceu que é o momento de os dois partidos que estiveram coligados nos últimos quatro anos seguirem caminhos separados: "Cada partido precisa de crescer, precisa do seu próprio espaço", justificou.