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Centeno quer vender o Novo Banco no prazo de um ano. “Atraso não ajuda” o Estado

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Ministro das Finanças deu entrevista à Bloomberg a fazer o ponto da situação dos dossiês mais importantes do país: diz que juros a 10% é coisa do passado, que não será necessário plano B para executar devidamente o orçamento e dá detalhes sobre a venda do Novo Banco

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta terça-feira que o Governo estima vender o Novo Banco em 12 meses, considerando que o prolongamento do período de venda do banco "não ajuda" o Estado.

Em entrevista à agência financeira Bloomberg, em Londres, Mário Centeno disse que o executivo socialista está a acompanhar de perto o processo de alienação do Novo Banco e que uma venda bem-sucedida é "muito importante" para o sistema financeiro português.

O Governo espera que a venda do Novo Banco ocorra nos próximos doze meses, segundo o ministro, que considerou que "o atraso não ajuda" o Estado.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro, António Costa, lembrou que a venda do Novo Banco deve ser feita, de acordo com os compromissos assumido com Bruxelas, até agosto de 2017, e que há tempo para "bem decidir o que tem de ser decidido".

António Costa considerou que "a obtenção deste prazo visa sobretudo diminuir a ansiedade das senhoras e senhores jornalistas, a preocupação de todos nós, e sabermos que temos tempo para, em conformidade, bem decidir o que tem de ser decidido, no momento próprio e em tranquilidade".

Já hoje em entrevista à Bloomberg, o ministro das Finanças afirma que os juros da dívida acima de 10% são uma coisa do passado, defendendo que uma das tarefas do Governo é "tranquilizar os mercados" e deixar "o compromisso muito firme de que esses tempos já passaram".

Mário Centeno defendeu ainda que é necessário um esforço conjunto entre o Banco Central Europeu (BCE) e os países da União Europeia para evitar picos das taxas de juro da dívida pública.

Já no que diz respeito às finanças públicas, Mário Centeno disse que o Governo está "muito comprometido em manter o processo de consolidação orçamental, para refrear o rácio da dívida face ao Produto Interno Bruto (PIB)".

O ministro reiterou que Portugal não vai precisar de medidas de consolidação orçamental extraordinárias: "Não pensamos que será necessário. O plano A é muito exigente mas é um plano que, na sua maioria, depende da nossa ação e acreditamos que seremos capazes de corresponder", afirmou.

O governante adiantou que Portugal não vai iniciar o debate sobre a renegociação da dívida pública, considerando que "esse é um assunto a ser tratado a um nível europeu".

"Não vamos promover esse processo", afirmou.