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Presidente da Endesa acha um “absurdo” alargar a tarifa social de eletricidade

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“A curto médio/prazo”, a fatura da tarifa social de energia “vai refletir-se no preço ou na qualidade do serviço”, diz em entrevista ao DN o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva. As empresas fornecedoras de eletricidade e de gás natural querem assim querem desligar a medida negociada entre o BE e o PS, que irá beneficiar um milhão de famílias de baixos rendimentos.

“Querer alargar a tarifa [social de energia] automaticamente traz problemas”, diz o Presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, em entrevista publicada esta segunda-feira no DN.

As declarações do líder do braço português da elétrica espanhola são a primeira tomada de posição pública das empresas fornecedoras de energia relativamente ao alargamento da tarifa social, através da aplicação automática da medida, que deverá beneficiar cerca de um milhão de famílias.

“Ao dar um desconto de forma administrativa (...), não se está a dar um sinal de apelo ao bom senso e à eficiência energética”, afirma Nuno Ribeiro da Silva. “Alargar a tarifa social com este automatismo (...) é um absurdo, é perverter o racional de uma medida”.

Segundo o presidente da Endesa Portugal (empresa que no final do ano passado tinha 4,4% do mercado de eletricidade, contando duplicar a sua quota até ao final da década), “vai dar-se automaticamente abrigo a uma série de pessoas que não têm realmente carências, que se calhar não têm necessidade”.

Novas regras da tarifa social de energia (fundamentalmente nos consumidores de eletricidade, pois nos de gás natural ela tem pouquíssima expressão) são um dos cavalos de batalha do Bloco de Esquerda, que inscreveu a medida na “posição conjunta” subscrita com o PS.

Na discussão do Orçamento na especialidade, os dois partidos acordaram já na instauração imediata do mecanismo automático (até agora eram os utentes que tinham de a requeer). Nos termos da negociação entre BE e PS, a tarifa social deverá chegar a um milhão de famílias (atualmente beneficia 110 mil). Nas simulações feitas, numa conta da luz de €49, o desconto pode chegar a cerca de uma terça (€16,50)

O custo desta alteração legislativa está estimado em 100 milhões de euros, que não sairão do OE, mas dos cofres das empresas fornecedoras de energia (sobretudo da EDP).

“Não há pequenos-almoços à borla”

Na entrevista, Nuno Ribeiro da Silva arrasa aquela lógica. “Assim é fácil tomar medidas políticas, varre-se os custos para debaixo do tapete. Isto é claramente uma medida de proteção e solidariedade social. O Governo toma as decisões que quer, mas que ponha os custos no orçamento da solidariedade social”.

O Presidente da Endesa Portugal deixa avisos sobre o impacto futuro da medida. Ele far-se-á sentir ou nos bolsos dos contribuintes ou na qualidade do serviço. Desmontando o argumento de quem diz que o custo “o custo não se reflete no consumidor”, Nuno Ribeiro da Silva diz que “isso é obviamente uma leitura cândida de como as coisas funcionam”.

“Pode não ser diretamente, mas curto/médio prazo é evidente que isso será um parâmetro de custo para as empresas, logo vai refletir-se no preço ou na qualidade do serviço”, afirma o ex-secretário de Estado da Energia de um dos governos de Cavaco Silva.

Para o caso de alguém não ter ainda percebido, Ribeiro da Silva deixa a mensagem: “Não há pequenos almoços à borla”.