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Carlos Moedas: não há consensos “no curto prazo” para renegociar a dívida

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PEDRO NUNES / Lusa

O comissário europeu defende que Bruxelas é muitas vezes “culpabilizada” pelos impasses na Europa, quando a decisão está nas mãos dos governos nacionais

“Será que [em relação a] esses temas específicos sobre eurobonds, renegociação da dívida, podemos pensar que a curto prazo vai haver um consenso? Penso que não. São temas em que não há um consenso possível no curto prazo.” Esta garantia é deixada por Carlos Moedas, comissário europeu para a Inovação e Investigação, em entrevista ao jornal “Público” desta segunda-feira.

A economia europeia está "numa camisa de forças”, diz. Por isso, garante que não quer perder muito tempo com o tema de renegociação da dívida portuguesa. “Sinceramente, é daqueles temas em que eu não consigo intelectualmente perder muito tempo com ele, exatamente porque sei que há outras maneiras de conseguir avançar na Europa e não estar a ir para temas onde não vamos conseguir qualquer tipo de consenso”, afirma ao jornal “Público”.

Para o comissário europeu, a restruturação da dívida tornou-se “uma palavra política e não uma palavra técnica, como deveria ser desde o princípio”. Daí, segundo ele, deriva uma confusão: todos os países estão “constantemente a mudar a taxa de juro”, a mudar os pagamentos para reembolsar as dívidas e tudo isso, tecnicamente, são pequenas renegociações, defendeu.

Apesar dos atritos políticos ao nível nacional, entre PSD e PS, Carlos Moedas – aquele foi o interlocutor principal interlocutor do Governo de Passos Coelho com a troika – conta que desde “praticamente o dia em que o Governo tomou posse”, tanto o ministro do Planeamento Pedro Marques como o ministro da Ciência e Ensino Superior Manuel Heitor “telefonaram para marcar uma reunião”.