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BE: Elétricas aproveitavam “burocracia” para “encaixar dezenas de milhões de euros”

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Numa reação ao presidente da Endesa Portugal, que classificou como “absurdo" o novo método de atribuição da tarifa social de energia (o benefício será concedido de modo automático), o deputado do BE Jorge Costa acusa as empresas do sector de se terem aproveitado da “barreira no acesso ao desconto” para ficarem com valores que “deveriam chegar às famílias mais pobres”.

“Todo este barulho da Endesa é porque, finalmente, a lei será aplicada e beneficiará quem deve, de forma automática. O número de famílias vulneráveis a beneficiar da tarifa social passará de 100 mil para um milhão porque será eliminada a necessidade de um pedido formal pelo cliente”, disse ao Expresso Jorge Costa, deputado do Bloco que negociou com o PS a alteração das regras de atribuição da tarifa social de energia.

Nas estimativas do Bloco, no novo quadro já assumido pelo Governo, nas famílias de rendimentos mais baixos que beneficiem da tarifa social a poupança na conta da luz pode chegar, para uma factura de cerca de 50 euros, a quase 17 euros (um desconto de cerca de um terço). O custo do apoio, cerca de 100 milhões de euros por ano, será assumido pelas empresas fornecedoras de energia, e não pelo erário público.

Na entrevista de hoje ao DN, o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, afirmou que “a curto/médio prazo” esta nova medida “vai refletir-se no preço ou na qualidade do serviço”. Dito de outra forma: serão sempre os consumidores a assumir o encargo. Ou porque vão pagar mais; ou porque pagarão o mesmo por uma contrapartida pior algo pior.

Jorge Costa acusa as elétricas de terem estado a beneficiar indevidamente, pelo não pagamento da tarifa social (sobretudo na eletricicidade, pois no gás natural os casos são residuais). “Todos os anos, a EDP e a Endesa aproveitavam a barreira no acesso ao desconto - a burocracia do pedido - e encaixavam dezenas de milhões de euros que deveriam chegar às famílias mais pobres”, diz o deputado do Bloco, que acrecsenta: “A EDP chegou até a ser multada por obstaculizar a atribuição da tarifa”.

Sobre as críticas de Nuno Ribeiro da Silva ao mecanismo da aplicação automática da tarifa social (uma medida bandeira do Bloco na discussão do Orçamento), Jorge Costa devolve o argumento: “O presidente da Endesa diz que 'tudo o que é de aplicação automática é ultranegativo'. Na sua precipitação, até se esquece dos lucros astronómicos que o Estado tem garantido automaticamente às companhias elétricas, mesmo quando as suas centrais e barragens estão paradas”.

  • Presidente da Endesa acha um “absurdo” alargar a tarifa social de eletricidade

    “A curto médio/prazo”, a fatura da tarifa social de energia “vai refletir-se no preço ou na qualidade do serviço”, diz em entrevista ao DN o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva. As empresas fornecedoras de eletricidade e de gás natural querem assim querem desligar a medida negociada entre o BE e o PS, que irá beneficiar um milhão de famílias de baixos rendimentos.