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“António Costa é uma espécie de seguro de vida do Governo”

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Marques Mendes é comentador de política da SIC

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Num balanço dos três primeiros meses do Governo, Marques Mendes elogia globalmente a atuação do primeiro-ministro. Diz que o Executivo tem garantido estabilidade, mas defende que a imagem do país no exterior degradou-se e que falta ação. “Este é o Governo que menos leis produziu: 13 decretos-lei em três meses. Está um pouco parado e acho que António Costa vai ter que agitar um pouco as águas”

“António Costa é uma espécie de seguro de vida do Governo”, afirmou Luís Marques Mendes, este domingo, no seu habitual espaço de comentário na SIC. Para o antigo líder do PSD, o Executivo tem atuado “globalmente bem” durante os 90 dias de governação, garantindo estabilidade.

Entre os aspetos positivos, o comentador destaca sobretudo os apoios dos partidos à sua esquerda. “Tantas pessoas diziam que isto [o Governo] não aguentava e o certo é que há estabilidade e depois a coligação na minha opinião está para durar mais tempo do que se imagina”, disse Marques Mendes, apontando para o facto de a oposição estar a “menosprezá-lo”.

Num balanço dos três primeiros meses do Governo, que tomou posse no passado dia 26 de novembro, o social-democrata elege o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, como o mais bem-sucedido governante. “O ministro da Saúde é a estrela da companhia, tem tido boa visibilidade, segurança técnica, boa inteligência política e tem fugido a roturas”, sustentou.

Pela positiva, realçou ainda mais quatro ministros e um secretário de Estado: o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, que considera ser “sólido e politicamente forte”; o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, que elogia sobretudo pela forma como tem gerido o dossiê da TAP; a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, “discreta, mas eficaz e que sendo independente já se impôs no Governo” e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, face ao seu “discurso coerente e à adequada orientação da política externa, nomeadamente europeia”.

Por último, destacou o papel do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, alegando que tem feito um bom trabalho e que é um forte candidato à sucessão de António Costa na liderança do PS.

Por seu turno, escolheu pela negativa o ministro da Educação , Tiago Brandão Rodrigues, que disse constituir um “erro de casting” que prova que “um bom investigador não é necessariamente um bom gestor” e o ministro das Finanaçs, Mário Centeno, que na sua opinião foi uma “desilusão”. “António Costa é especialista na política dura e precisava de um ministro das Finanças seguroe sóbrio, mas este tem andado muito aos ziguezagues”, observou.

Referindo que o Orçamento do Estado - aprovado esta semana na generalidade no Parlamento - foi fruto de uma série de avanços e recuos e que já terá um plano alternativo a pedido de Bruxelas, Marques Mendes lembrou que o OE 2016 foi feito ao abrigo das regras do tratado orçamental que o PCP classifica de pacto de agressão.

“Os outros 10 são ministérios inexistentes, não aparecem não têm medidas tomadas. Este é o Governo que menos leis produziu: 13 decretos-lei em três meses. Está um pouco parado e acho que António Costa vai ter que agitar um pouco as águas”, considerou.

Marques Mendes frisou também que a imagem do país no exterior “se degradou”, na sequência de algumas medidas como a reversão da concessão dos transportes.

Sobre a discussão do OE no parlamento, Marques Mendes elogiou o discurso de Passos Coelho, mas criticou as restantes intervenções do PSD, sustentando que o CDS esteve melhor sobretudo no primeiro dia da discussão do documento. “O PSD ainda não mudou de chip, ainda estão acantonados no passado com linguagem azeda e radical”, lamentou.