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Provedor analisa cartaz que divide BE

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O BE admite que o cartaz, com a imagem de Jesus Cristo, poderá motivar polémica

DR

Uma petição que exige “a retirada dos cartazes blasfemos” está nas mãos do provedor. Dirigentes do BE distanciam-se

O provedor de Justiça está a analisar uma queixa, apresentada ontem por quase três mil cidadãos, contra um cartaz do Bloco de Esquerda que consideram “blasfemo e ofensivo dos sentimentos religiosos de muitos portugueses”. Os signatários da queixa consideram que a atitude do BE atenta contra o disposto no código penal por “ofender” uma crença religiosa e “profanar um objeto de culto”. O gabinete do provedor confirmou ao Expresso que a queixa “está a ser analisada“ enquanto, no interior do próprio Bloco surgem vozes discordantes sobre uma campanha que pretendia assinalar a possibilidade legal de adoção por casais homossexuais.

“Foi um erro”, assume Marisa Matias. A eurodeputada do Bloco de Esquerda e candidata à Presidência da República escreveu na sua página de Facebook que a campanha mediática “saiu ao lado da intenção que se pretendia”. Ao Expresso, o ex-dirigente João Semedo não quis comentar, mas acrescentou: “Acho a adoção um problema demasiado importante para se perder tanto tempo a discutir um cartaz.” José Manuel Pureza, vice-presidente da Assembleia da República e deputado bloquista assumidamente católico, também preferiu não comentar.

O mal-estar é evidente. Catarina Martins não quis alimentar a polémica e remeteu qualquer comentário para o comunicado que, ao princípio da tarde, o BE difundiu para acalmar os ânimos. Na altura, já o porta-voz da Conferência Episcopal (CEP), Manuel Barbosa, tinha considerado “uma afronta” e “de muito mau gosto” o cartaz que, com uma imagem do Sagrado Coração, afirmava: “Jesus também tinha dois pais”. D. António Marto, bispo de Leiria e vice-presidente da CEP, também considerou “lamentável“ e “injurioso” o cartaz, acrescentando que campanhas destas “não ajudam nada ao diálogo entre pessoas civilizadas”.

"Não se trata de um cartaz, mas da forma de, nas redes sociais, com recurso ao humor, chamar a atenção para a conquista da igualdade entre todas as famílias”, garante o comunicado bloquista. Mas, segundo o Expresso apurou, a ideia inicial era a de imprimir estes cartazes em mupis. O BE recuou e tenta agora desvalorizar o assunto. E até afirma que “a frase não é do Bloco”, mas de um slogan internacional.