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Marcelo. “Foi o cabo dos trabalhos”

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Álbum Com prefácio do próprio Marcelo Rebelo de Sousa, tem 180 fotos e um texto de Rui Ochoa, o fotógrafo que o acompanhou na campanha. “Afectos” — a palavra-chave da corrida presidencial de Marcelo até à vitória à primeira volta — é o título do livro, editado pela Texto Editora (Leya) e que será lançado no próximo dia 3

Marcelo lança dia 3 livro sobre a sua campanha. “Enganaram-se”, diz aos que o pressionaram a tomar partido

“Enganaram-se os muitos que pensaram que abertura de espírito e capacidade de diálogo eram iguais a indefinição de princípios ou flutuação de condutas. Mais do que o acerto da linha traçada, foi a persistente firmeza na sua concretização que mais importou. Mas foi o cabo dos trabalhos resistir ao ambiente vivido até dezembro”. Eis Marcelo a falar de Marcelo, no livro que fez em parceria com o fotógrafo Rui Ochoa sobre a campanha eleitoral que o conduziu a Belém.

“Os lados conflituantes não aceitavam nem toleravam a minha orientação de candidatura. Uns queriam que fosse o porta-voz das suas razões. Outros, que aparecesse como encarnação do inimigo a derrotar”, relata o Presidente-eleito.

Num texto de 10 mil carateres, Marcelo conclui que estava certo quando apostou na “moderação ao centro”. Recorda que teve de se fazer à estrada em plena guerra (PSD/PS) pela conquista do Governo, quando uns e outros tentavam puxá-lo para o seu lado. A campanha, aparentemente fácil, foi, afinal, segundo o próprio, “o cabo dos trabalhos”. Sobretudo para manter calmo o seu partido, que gostaria de o ter visto mais alinhado.

Com o título de “Afectos”, a obra é lançada no dia 3 e contém um extenso registo fotográfico — cerca de 180 fotos — da caminhada de Marcelo pelo país. Rui Ochoa escreve um texto em que relata algumas peripécias da experiência que foi acompanhar esta campanha absolutamente sui generis, low cost, quase sem meios, de costas viradas para partidos e centrada no candidato, que escolheu a proximidade com as pessoas como receita e o afeto como slogan.

A foto da capa é o então candidato de boné, acessório que o acompanhou quase sempre —numa campanha que o próprio confessou idealizar “à Soares” (chegaram a aparecer autocolantes com a frase “Marcelo é fixe”), Marcelo Rebelo de Sousa escolheu uma indumentária confortável, anorak, boné e cachecol. Como a capa mostra.

Durante a campanha, o candidato chegou a dizer que se ganhasse à primeira volta com a sua opção de alto risco, esta seria uma campanha digna “de entrar para os manuais”. E uma vez alcançado o objetivo, decidiu ser ele próprio a escrever o texto, ilustrado pelo filme fotográfico de Ochoa.