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Açores dispostos a exigir renegociação de acordo de defesa com Estados Unidos

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tiago miranda

Termina esta terça-feira o prazo para Pentágono apresentar relatório sobre novas utilizações da base das Lajes

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Governo dos Açores prepara-se para voltar a exigir uma renegociação do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos, se o Departamento de Defesa americano não prever novas funcionalidades para a base das Lajes.

A Lei do Orçamento de Defesa dos EUA para 2016, promulgada em novembro passado por Barack Obama, contemplava a necessidade de reavaliar as valências da base, tendo o Pentágono ficado vinculado à elaboração de um relatório às Comissões de Defesa do Congresso sobre o assunto, cujo prazo termina na próxima terça-feira.

Uma das hipóteses que estava em cima da mesa era a possibilidade de transferir para as Lajes o centro de informações (Joint Intelligence Analysis Complex) que o Departamento de Defesa pretende construir em Croughton, no Reino Unido, e cuja localização o Congresso considera ser mais dispendiosa que se fosse instalado na base açoriana.

Outra possibilidade a analisar para utilização futura das Lajes era a presença e rotação de aeronaves de caça para treino ar-ar, ou forças navais.

De acordo com a reorganização das forças americanas na Europa, anunciada em 2013, a dimensão das Lajes foi substancialmente reduzida, tendo os dois governos andado a negociar o seu impacto do ponto de vista económico. A situação dos trabalhadores dispensados terá ficado resolvida com um programa de rescisões, embora se mantenha em questão o problema da chamada “pegada ambiental”.

Vasco Cordeiro nos EUA

Agora, o Pentágono terá que entregar o relatório onde deverão ficar ficar definidas as tais possíveis utilizações das Lajes e, ao que o Expresso sabe, Vasco Cordeiro pode vir a exigir a Lisboa que coloque em cima da mesa a renegociação do acordo de cooperação e defesa se o referido relatório não oferecer nada de concreto e efetivo quanto ao futuro da base.

Vasco Cordeiro esteve aliás em Washington esta semana para contactos e reuniões a diversos níveis tendo em vista o acompanhamento do dito relatório. Entre outros, teve encontros com os congressistas de origem açoriana Devin Nunes (presidente do Comité de Intelligence do Congresso), Jim Costa e David Valadão.

Ao que parece, o Governo dos Açores encara o relatório como uma última oportunidade para uma solução satisfatória para a questão das Lajes, no quadro do atual relacionamento luso-americano, e estará a contar com a boa vontade do novo Governo para dar força às suas pretensões.

Já anteriormente, quando os EUA anunciaram a reorganização das suas forças e a desgraduação das Lajes, Vasco Cordeiro apresentara igual exigência ao anterior Governo.