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Se Passos voltar a concorrer a primeiro-ministro vai levar “um banho”

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Entrevistado pelo Expresso no último verão, na Madeira, assumia sobre ele e Passos Coelho: "a gente não se acerta"

FOTO OCTÁVIO PASSOS

Alberto João Jardim culpabiliza Pedro Passos Coelho pela chegada ao poder de António Costa. Mas nem por isso se mostra mais confiante no Governo atual

"Votei sempre no PSD menos nas últimas eleições legislativas, mas não votei noutro partido." As palavras de Alberto João Jardim, numa grande entrevista ao jornal "i" esta sexta-feira, voltam a mostrar que ex-líder social democrata da Madeira está magoado com o PSD de Passos Coelho. Foi uma decisão tomada a custo, que "magoou cá dentro", admitiu.

Alberto João Jardim conta que começou a sentir "resistência" no PSD, desde que Pedro Passos Coelho assumiu a presidência. Porém, admite também que a ligação que sempre teve com o partido foi mais por necessidade e instrumental, do que por vontade. Isto porque se sente afastado em termos ideológicos: “Hoje sinto-me mais à esquerda que o PSD", disse.

Quanto ao atual Governo de António Costa, Alberto João Jardim não põe em causa a sua legitimidade, mas não deixa passar a oportunidade para apontar responsabilidades: "Esta solução aparece porque o Governo do senhor Passos Coelho não teve sensibilidade social e causou repúdio nas pessoas. A culpa de hoje haver um Governo socialista minoritário com o apoio dos partidos radicais de esquerda e da governação do senhor Passos Coelho."

Para o madeirense, não existe futuro para o PSD, enquanto o líder for Passos Coelho, o ex-primeiro-ministro que “acha prestigiante andar ali debaixo das saias da Merkel”. E deixa-lhe um aviso: se voltar a ser candidato a primeiro-ministro vai “levar um banho”.

Contudo, o ex-líder social democrata também não está tranquilo com o atual Governo. Admite ter "muito receio" das alianças entre PS, PCP e BE, pois considera que o PCP e o BE são "partidos que estão na área do totalitarismo". E, neste ponto, foca-se em particular no Bloco de Esquerda: "É um grupo de meninos burgueses. Seriam os primeiros a fugir de um regime comunista."