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Suspeitas de corrupção: Governo não tem informação “credível” sobre indiciação de vice-presidente de Angola

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“Não tenho essa informação”, afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros português, instado a comentar a suposta indiciação em Portugal do vice-presidente de Angola por corrupção ativa

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse esta quinta-feira não ter informação “credível” sobre a indiciação, em Portugal, do vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, por corrupção ativa, escusando-se a comentar se a operação poderá afetar as relações bilaterais.

“Não tenho essa informação. Não uso informações de processos que estão em segredo de justiça. Não tenho informação da parte da única entidade que pode falar pelo Ministério Público, que é a Procuradoria-Geral da República”, disse à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa, que esta quinta-feira termina uma visita de dois dias à Tunísia.

“Não tenho nenhum comentário a fazer. Recordo que vigora, no nosso ordenamento constitucional - e bem -, o princípio da separação de poderes e da independência do poder judicial”, acrescentou.

Questionado sobre se esta operação poderá afetar as relações entre Lisboa e Luanda, Santos Silva afirmou: “Não sei responder a essa pergunta, porque não tenho nenhuma informação que eu possa considerar como credível sobre eventuais indiciados seja em que processo for”.

O vice-presidente de Angola é suspeito de corromper um procurador português, tal como o Expresso noticiou terça-feira. Batizado com o nome Operação Fizz, o caso está a provocar ondas de surpresa e choque no Ministério Público. Orlando Figueira, um ex-procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que foi responsável até 2012 por investigar algumas figuras do regime angolano, foi detido terça-feira por indícios de corrupção passiva “na forma agravada” por ter recebido duas transferências bancárias no mesmo dia em que arquivou um inquérito-crime sobre Manuel Vicente, atual vice-presidente de Angola e outros arguidos. O Expresso sabe que Vicente é suspeito de ser o corruptor ativo do magistrado. A Lusa avança que o Ministério Público indiciou Manuel Vicente e o advogado português Paulo Blanco do crime de corrupção ativa em coautoria.

Fontes próximas do executivo angolano, contactadas pela Lusa, recusaram até agora fazer qualquer comentário a esta investigação em Portugal.