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Ferreira Leite. “A nacionalização do Novo Banco deve ser ponderada”

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Alberto Frias

A antiga líder do PSD considera que a solução para o Novo Banco deve ser ponderada em função do que for melhor para o sistema financeiro nacional. “Acho que precipitações não resolvem nada”, diz Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite defendeu esta quinta-feira, no seu habital espaço de comentário na TVI24, que o Governo deverá analisar sem pressa a solução para o Novo Banco. A antiga ministra das Finanças referia-se à hipótese levantada esta semana de a instituição ser nacionalizada – que já foi admitida pelo PS – depois de o PCP ter feito um pedido nesse sentido.

“Gostaria de considerar qualquer proposta de resolução do BES, neste caso Novo Banco. A boa proposta é aquela que for melhor para defender os interesses do país no sistema financeiro. Não sei se a melhor solução é a venda do banco ou nacionalização, pois depende muito dos factos, do que irá evoluir nesta matéria”, afirmou a antiga ministra das Finanças.

Considerando que é razoável aguardar por uma solução, Ferreira Leite sustentou que é necessário avaliar as consequências de qualquer uma das hipóteses. “Acho que precipitações não resolvem nada. A nacioalização do Novo banco deve ser ponderada”, insistiu.

A antiga líder do PSD lamentou que a troika não tenha resolvido os problemas do sistema financeiro nacional - que é essencial para o crescimento do país - alertando ainda para as recentes preocupações sobre a união bancária.

“Não conheço nenhum país que se desenvolva ou cresça sem ter uma banca e um sistema financeiro forte. A soberania e a independênca dos países tem muito a ver com o sistema financeiro. Sem um sistema financeiro nacional perdemos a soberania”, garantiu.

“O OE ter passado em Bruxelas deu-lhe credibilidade”

Confrontada com a avaliação positiva da agência Moody's ao orçamento português, Ferreira Leite referiu que o facto da Comissão Europeia ter aprovado o documento foi essencial. “O OE ter passado em Bruxelas deu-lhe credibilidade”.

A social-democrata frisou que antes existia uma “desconfiança grande” das forças que apoiam o Governo - PCP, BE e Verdes – que são contra as orientações europeias, mas que depois acabaram por dar luz verde ao documento.

“Aprovar um OE que obteve luz verde de Bruxelas deve ser algo absolutamente contra os seus princípios e orientações e depois cada um deles manda para cima da mesa tema que provavelmente não fazem parte do acordo com o PS, mas é para provarem a sua posição relativamente a Bruxelas. É por isso que o PCP foi buscar [esta semana o tema da] nacionalização do Novo Banco e o BE a renegociação da dívida”.

Relativamente ao problema da dívida, Ferreira Leite defendeu que terá que ser resolvido de “forma global”, lembrando que vários países europeus se debatem com essa questão.

Questionada sobre a intenção do Governo de alargar a Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE) aos filhos dos funcionários públicos para os 30 anos e aos cônjugues, a social-democrata manifestou-se contra a proposta do OE, afirmando que a ADSE corre o risco de acabar.

Ferreira Leite observou que os Funcionários Públicos com os rendimentos mais altos têm tendência de optar por seguros de saúde privados, descapitalizando o subsistema de saúde. “Parece-me mal [a proposta]. Daqui a uns anos vamos ver se a ADSE não acabou.”